Lixão de Apucarana será lacrado hoje
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segunda-feira, 04 de junho de 2001
Maurício BorgesDe Apucarana 
Depois de funcionar nos últimos 25 anos num terreno inadequado, situado próximo a nascentes e a apenas 3 km da área urbana, o lixão de Apucarana será fechado hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente. O ato está previsto para as 15 horas, na estrada que liga a cidade ao distrito do Barreiro, quando o prefeito Valter Pegorer (PFL), em companhia do promotor Eduardo Nagib Matni (Promotoria de Defesa do Meio Ambiente) e da superintendente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Sakae Yamao, irão lacrar o lixão a céu aberto.
Com o fechamento do lixão, Pegorer admite que precisará da ajuda técnica e financeira do Estado para providenciar o saneamento da área degradada ao longo de 25 anos. Nossa proposta é abrir drenos para canalizar gases e chorume e, gradativamente, promover o saneamento da área, plantando árvores e grama, para formar um futuro parque ambiental, anunciou.
O processo que levou ao fim do lixão de Apucarana iniciou-se em outubro de 1996 com o Ministério Público, através do então titular da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, Luis Fernandes Delázari. Na época, o lixão chegou a ser interditado pela promotoria, que acionou o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Depois de cumprir algumas adequações para minimizar a poluição ambiental, a Prefeitura de Apucarana foi obrigada a adotar providências definitivas para a criação de um aterro sanitário e posterior saneamento da área degradada.
O processo durou quatro anos, sob a frequente fiscalização e cobrança do promotor Eduardo Nagib Matni. Técnicos do IAP já admitiram várias vezes, ao vistoriar e até autuar a prefeitura de Apucarana, que a situação do aterro do município era uma das situções mais graves do Norte do Estado, em termos de poluição ambiental. Welington Bembem, do setor de resíduos sólidos do IAP, citou num laudo, no ano passado, que o lixão da cidade foi formado num fundo de vale, para onde escorrem e infiltram águas pluviais, levando o chorume até lençóis freáticos.
Há ainda outra agravante. O velho lixão está próximo à nascente de um afluente do Rio Pirapó e até de um represamento, que também tem ligação com o rio, aproveitado para abastecimento de água de Maringá. Tudo esteve exposto à contaminação desde os anos 70, quando todo o lixo doméstico de Apucarana passou a ser depositado no local.
A obra do aterro sanitário de Apucarana foi concluída há oito meses, mas faltavam equipamentos, máquinas e pessoal para operacionalizá-lo. O prefeito Valter Pegorer explicou ontem que não havia, no início de seu mandato, disponibilidade de recursos para fazer funcionar o aterro.
O projeto foi viabilizado em parceria firmada entre o município e o Estado, ao custo de R$ 313 mil liberados pelo governo. À prefeitura coube a doação de uma área de terras (10 alqueires), vistoriada e aprovada pelo IAP. Desde ontem o aterro começou a receber uma carga de 70 toneladas diárias de lixo urbano. Na sexta-feira a obra será oficialmente entregue, com a presença do governador Jaime Lerner.


