Lixão continua em combustão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de outubro de 2001
Maurício Borges<br> De Apucarana 
Mesmo despois de ter sido desativado há três meses, o lixão de Apucarana permanece em combustão, exalando gases e fumaça tóxica, na região do contorno norte. Ontem a situação era caótica, com a fumaça chegando a prejudicar o tráfego de veículos na rodovia. O cheiro é muito forte e, segundo admitem técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), é prejudicial à saúde.
O lixão à céu aberto recebeu, por quase 30 anos, uma média de 50 toneladas/dia de lixo urbano, que ficou acumulado numa área de 5 hectares, sem qualquer tipo de tratamento. E, neste caso, conforme já constatou o departamento de resíduos sólidos do IAP, o foco de poluição é um dos mais graves na Região Norte.
Técnicos constataram que o lixão ficou posicionado numa área totalmente imprópria, num fundo de vale, recebendo grande quantidade de águas pluviais. Esse processo resultou na produção de chorume que, certamente, conforme admite o IAP, já contaminou os lençóis freáticos no local. Outro agravante é a proximidade do lixão de algumas nascentes e afluentes do Rio Pirapó, manancial que a Sabepar utiliza para abastecimento de Maringá.
Dependendo de alguns fatores como o vento e a temperatura, a combustão é desencadeada naturalmente com o lixo disposto nestas condições, surgindo muita fumaça. A situação irá resultar numa nova vistoria do IAP, marcada para o início da próxima semana.
Segundo o chefe em exercício da regional do IAP, Nelson Santos Pereira, técnicos irão avaliar e diagnosticar o atual estágio, para depois orientar a Prefeitura de Apucarana sobre quais providências tomar para conter a poluição.
O secretário de governo de Apucarana, Valdemar Garcia, informou que a prefeitura operacionalizou o aterro sanitário, no contorno sul, adotando também algumas medidas para tentar evitar maiores problemas no lixão. ''Colocamos um guarda no local para proibir a garimpagem do lixo e também para evitar que as pessoas continuassem descarregando entulhos, pneus e outros objetos lá'', revelou.''
Segundo o secretário, Apucarana está finalizando um projeto, reivindicando recursos do Ministério do Meio Ambiente, para viabilizar a recuperação de toda a área. ''O objetivo é reflorestar e transformar o local num parque ambiental, com uma estimativa de custo orçada em R$ 500 mil''.


