A Prefeitura de Rolândia (25Km a oeste de Londrina) iniciou ontem o processo de desativação do lixão, que funciona há cerca de 50 anos a céu aberto, quase dentro da cidade. Uma empresa foi contratada para realizar a obra e ontem um funcionário com uma motoniveladora iniciou o esparrame do lixo.
O trabalho segundo a secretária de Meio Ambiente e Turismo, Vera Lúcia Crespim, deve demorar três meses e prevê ainda a compactação do lixo e a construção de drenos para chorume e gases. A área será transformada em um parque ecológico. Neste período a prefeitura estará tratando também da liberação do aterro sanitário que está sendo construído.
Até o início do funcionamento do aterro, o lixo da cidade continuará sendo despejado no lixão, com exceção de entulhos de materiais de construção e galhos que, de acordo com a secretária já possuem espaço definido. Outro problema que a secretaria pretende resolver é a situação das pessoas que trabalham no lixão coletando materiais recicláveis. A prefeitura quer organizar o seviço com uma cooperativa, além de oferecer assistência médica e odontológica aos ‘garimpeiros’.
Os catadores de lixo, João Batista de Jesus, que está na atividade há 17 anos, e Maria Izabel, que trabalha há 12 anos, mostraram-se preocupados com o futuro das 20 pessoas que trabalham no local. Eles denunciam que o serviço estaria sendo repassado para um atravessador, e ele teria dito que apenas alguns poderiam continuar a atividade e os demais seriam encaminhados para a colheita de cana e laranja. ‘‘Ele não tem o direito de nos tirar daqui. A colheita não dura o ano todo, como vamos sustentar nossas famílias?’’, indagavam.
A secretária negou a informação e disse que na próxima semana fará uma reunião com o pessoal do lixão para envolvê-los na organização dos serviços. Vera Lúcia entretanto garantiu que haverá uma diminuição nos ganhos com a coleta seletiva que a prefeitura pretende implantar. ‘‘Queremos oferecer melhor qualidade de vida e segurança a eles. Acho que isso compensa a queda nos ganhos’’, justificou.
Pouco depois do início dos trabalhos o proprietário de uma das chácaras que fazem divisa com o lixão, Nahim Adas Neto, pediu a paralização da atividade ao operador da máquina. Ele alegava que o lixo esparramado ultrapassava a linha limite estabelecida em um acordo com a prefeitura e ameaçava também, entrar com um processo contra o município. Adas Neto disse que o lixão já havia provocado o fechamento de uma mina que era utilizada no fornecimento de água para os animais. ‘‘Não queremos mais prejuízos por aqui’’, protestava.

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