Livros por toda parte
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Mariana Guerin<BR>Reportagem Local 
Cornélio Procópio - Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Este foi o jeito encontrado pela professora Marili Prado Rigão para sacudir sua rotina e dar vida aos mais de dois mil livros que acumulavam poeira nas estantes da Biblioteca do Professor de Cornélio Procópio (Norte). E não foi preciso muito malabarismo para fazer a literatura chegar em locais nunca imaginados pelo Município depois da criação da Biblioteca Animada.
''Pesquisei muito na internet até ter a ideia'', diz Marili, que se afastou sala de aula por problemas de saúde e de repente se viu sozinha - e entediada - na biblioteca sempre vazia.
Para afastar o sono dos alunos da Zona Rural, que acordam às 5 horas para tomar o ônibus escolar, Marili preparou uma caixa colorida e cheia de livros infantis, além de uma edição diária da Folha de Londrina. Interessadas, as crianças já escolhem o livro do dia ao entrar no ônibus e passam a viagem de pouco mais de uma hora lendo.
''É muito bom para a molecada e não atrapalha em nada a viagem. E eles sempre devolvem os livros na caixa antes de sair'', comenta o motorista Geraldo Bernardes, que há um ano e meio transporta os alunos dos sítios até as escolas.
Primeira passageira a subir no ônibus, às 6h15, Daiane Cristina Palestra, 10 anos, conta que seu livro preferido conta a história do casamento entre a lua e o sol. ''Dá para ler num dia porque os livros são curtinhos e a gente lê indo para a escola'', resume a estudante, que às vezes precisa descansar os olhos entre um parágrafo e outro para afastar o enjoo do sacolejar do ônibus.
A cada 15 dias
A caixa de livros conta com mais de seis dezenas de títulos, que são trocados pela professora a cada 15 dias. Mateus Lamar Siqueira, oito anos, ficou contente ao descobrir o exemplar do sapo curioso que, mais do que um livro, tornou-se um brinquedo durante a viagem até o colégio. ''Achei muito legal porque os desenhos parecem vivos, saindo da página.''
As irmãs Caroline e Rafaela Neves Vieira, 14 e 12 anos, leem juntas. Isso porque Carol é surda e precisa que Rafa traduza os livros para ela na linguagem de sinais. ''Meu livro preferido é o da Dorinha, uma menina cega que muda de casa, faz novos amigos e tem um cão guia'', conta Rafaela, que achou a ideia da caixa de livro ótima. ''Perdi as contas de quantos títulos já li no ônibus, na escola e em casa'', diz a estudante, que adora livros. ''Já a minha irmã prefere as revistas para ver as figuras.''
Um dos mais velhos da turma, José Augusto dos Santos Soares, 16 anos, gosta mesmo de ler as páginas de esporte e as notícias policiais do jornal. ''Achei legal poder ler no ônibus para passar o tempo'', opina o estudante, que gostaria de encontrar livros com temas mais adultos.


