Curitiba - As obras literárias raras e os periódicos antigos furtados da Biblioteca Pública do Paraná, a principal do Estado, foram avaliadas ontem em mais de R$ 500 mil. Elas foram levadas supostamente por integrantes de uma quadrilha especializada em furtos de obras raras e que atuaria em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O sumiço foi identificado no mês passado.
A suspeita é a de que tenha ocorrido participação interna de funcionários, estagiários ou seguranças que fazem a guarda do prédio. Entre os itens levados está a coleção de 12 volumes das obras de Georges Louis Leclerc Buffon, conhecida como ''Oeuvres complètes'', de 1733. As obras de Leclerc eram consideradas uma das cinco mais importantes da Biblioteca Pública e foram avaliadas em EUR 1,2 mil (cerca de R$ 3.288,00).
Outra obra furtada, de Jean Baptiste Bourguignon D' Ánville, foi cotada a EUR 3,5 mil (cerca de R$ 9.590,00). A obra, de 1748, é ''A new map of the whole continent of America divided into north and south and West Indias wherein are exactly deferibed'', com história e mapas das américas do Norte, Sul e Central. Do mesmo autor, foi furtada ''Amérique Meidionale'' - um livro histórico com um mapa colorido dobrado de 29x48 centímetros com relevo representando todas as tribos indígenas da América do Sul. O mapa é todo gravado em metal e com escala em léguas inglesas. O livro foi avaliado em EUR 1,7 mil (o equivalente a R$ 4.795,00).
A obra mais antiga da Biblioteca Pública não foi levada porque estava dentro de um cofre. A obra é de 1584 e é de Ludovico Arioso, sob o título ''Orlando Furioso''.
O diretor da Biblioteca Pública, Cláudio Gamas Fajardo, lamentou ontem o furto, que ele acredita que o furto tenha ocorrido com facilitação interna, provavelmente num fim de semana. A falta das obras só foi sentida no dia 1º de outubro e comunicada à polícia no dia seguinte (uma segunda-feira). ''Quero fazer um apelo para a sociedade. Precisamos resgatar as obras furtadas. Somente uma denúncia, mesmo que anônima, pode nos ajudar a recuperar os livros. O furto não foi cometido de graça. Ou foi uma encomenda ou eles serão vendidos no mercado. Os colecionadores precisam nos ajudar para não serem enganados, comprando obras que foram subtraídas do Patrimônio Público. Os ladrões querem completar os acervos particulares de colecionadores. Temos que impedir que seja dessa forma.''

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