Livros do Vestibular da UEL exigem pensamento crítico
Em diversos gêneros, candidatos devem analisar as 10 obras não apenas pelo discurso literário, mas também pelo seu contexto
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de março de 2020
Em diversos gêneros, candidatos devem analisar as 10 obras não apenas pelo discurso literário, mas também pelo seu contexto
Laís Taine - Grupo Folha
“Espera-se que o candidato considere o texto literário como prática que estimula o exercício da sensibilidade, da liberdade e do amadurecimento crítico por meio do convívio com a representação de experiências humanas plurais”. A indicação vem dos últimos manuais do candidato do vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e serve para a nova lista de obras literárias para os dois próximos processos seletivos (2021 e 2022). Dos 10 livros exigidos, sete foram renovados, demandando, além de conhecimento e afinidade com discursos literários, análise e interpretação do contexto.
De dois em dois anos as obras são renovadas, mantendo-se 30% da lista anterior. Para o Vestibular 2021, mantiveram-se: Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco; Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos; e Clara dos Anjos, de Lima Barreto. “Quem faz isso é a comissão formada por professores de literatura, que analisa e leva em conta gêneros diferenciados, com literatura clássica e moderna, incluindo contos, poesias, romances e um livro que fale de problemas atuais, por exemplo. A proposta é apresentada à Copese (Comissão Permanente de Seleção), que pode aprovar ou não”, explica Sandra Regina Garcia, coordenadora da Cops (Coordenadoria de Processos Seletivos), da UEL.
A coordenadora explica que a literatura exigida acompanha os modelos da prova da UEL, que, segundo ela, sempre vai trabalhar com as questões que estão na sociedade, história da humanidade e atualidade. Os autores, ainda que não sejam atuais, trazem temas pertinentes à época e não só com relação ao Brasil, como mostra na inclusão do escritor angolano José Eduardo Agualusa. “É uma questão da integração dos povos”, explica. “É importante que o estudante seja crítico, que tenha leitura de mundo, visão de totalidade e que consiga compreender a realidade e o mundo”, afirma.
Garcia comenta que as provas também se utilizam de trechos de livros da literatura não só para análise gramatical, mas de compreensão, como análise de interpretação. “O que nos importa é que o aluno saiba fazer a leitura e compreender o que está lendo e como ele pode apontar as questões do dia a dia”, defende.
Na prova de literatura, a interpretação do livro e da história de mundo é fundamental. “É importante entender de que época o autor está falando? Há comparação com os dias atuais? Podem ser gêneros diferentes, mas tem esse contexto e isso é muito importante. Não só o texto, mas o contexto”, indica.
PROJETOS GRATUITOS
Para melhor análise e aprofundamento das obras, Londrina conta com projetos culturais gratuitos que debatem com especialistas em literatura a lista de livros. O Clube de Leitura do Sesc Centro promove encontros no meio do ano para a discussão das narrativas; a Biblioteca Pública Municipal já divulgou cronograma de palestras e debate para cada uma das 10 obras. A FOLHA também possui projeto com 10 podcasts que serão divulgados durante o ano. Cada episódio tratará de uma obra específica. Acompanhe por meio do FolhaCast na sua plataforma preferida.
LEIA TAMBÉM
FOLHA lança podcast sobre livros do Vestibular da UEL