Nos dias de hoje, faz mais sentido do que nunca a famosa frase do químico francês Antoine Lavoisier, de que ''nada se cria, tudo se transforma''. O brasileiro que o diga. Mestre em economia, mesmo sem precisar passar pela universidade, o cidadão ensina às novas gerações como driblar a crise e, ao que parece, as crianças estão fazendo a lição de casa. Elas transformaram o livro escolar em moeda que garante o conhecimento. Ano após anos, a venda e troca de livros usados são cada vez maiores, mesmo em escolas particulares.
No Colégio Adventista de Londrina, por exemplo, os alunos se acostumaram a completar a lista de materiais com a ajuda de colegas. Há cinco anos, a direção da escola instala um mural de anúncios para quem deseja comprar ou vender livros usados. ''As dificuldades econômicas forçam as famílias a economizar sempre e os filhos estão se conscientizando de que também têm um papel importante nesta tarefa'', explicou Wanyse Paiva Santana, orientadora educacional do colégio. Segundo ela, entre a economia e a informação atualizada a prioridade tem sido o bom senso. A troca de livros é feita aos poucos e mesmo assim apenas quando necessária.
Já na Escola Estadual Antonio Raminelli, em Cambé, pais e professores encontraram uma solução criativa e barata. Eles dividiram entre si o valor dos livros, que ficam à disposição dos alunos na biblioteca no período de estudo. De 5 à 8 série do Ensino Fundamental, cada pai contribuiu com R$ 5,00 para comprar o livro de Inglês, já que os demais são fornecidos pelo governo. No Ensino Médio, os alunos pagaram R$ 10,00 em cada livro e todos serão usados até o final do curso. ''Adotamos essa idéia no ano passado e até agora conseguimos bons resultados. Os alunos entenderam a importância de conservá-los e nós também fiscalizamos o estado do material para que continue a ser usado'', explicou a diretora Terezinha Aparecida Delfine.
Outra forma de conseguir economia é vasculhar os sebos. A auxiliar de enfermagem Raquel de Almeida percorreu vários da cidade em busca dos livros para a filha, mas encontrou apenas um em bom estado. Ela pagou R$ 10,00 numa mercadoria usada que custaria R$ 52,00 nova. A garota, que cursa o 1º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Newton Guimarães, recebeu uma lista de seis livros, avaliada em R$ 213,00. ''Se tivesse conta-corrente poderia economizar R$ 40,00 comprando direto da editora, que ainda parcela a dívida em três vezes'', lamentou. Segundo ela, sua alternativa é adquirir o material na livraria com o cartão de crédito.
Karina Yanagui também não teve muita sorte. Este ano, sua família gastará mais dinheiro para mantê-la na escola, que trocou as apostilas pelos livros. Para cursar o 2º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, ela precisará de oito livros que custam, aproximadamente, R$ 405,00. Infelizmente, Karina não poderá recorrer a outros estudantes porque as publicações são novas, mas o consolo é que os livros servirão também no próximo ano.

mockup