Um grande debate, entre as cinco pessoas que mais contribuíram para a conservação da natureza, é o capítulo principal do livro ‘‘Saudade do Matão - Relembrando a História da Conservação da Natureza no Brasil’’, escrito pela jornalista Teresa Urban e que foi lançado esta semana em Curitiba.
Todos os personagens do livro de Teresa Urban são unânimes e concordam, entre outras coisas, que o ser humano usa desregradamente os recursos, sem a menor preocupação com os problemas que deixarão para os seus descendentes. ‘‘Costumo dizer que o próximo século será o mais difícil da existência da humanidade, porque teremos quase o dobro da população atual, com recursos minguantes, com dificuldades enormes em setores essenciais, como o abastecimento de água, por exemplo’’, adverte o almirante Ibsen Câmara.
Para os conservacionistas, a única forma de ‘‘salvar alguma coisa’’ é com unidades de conservação. ‘‘É preciso entender que a biodiversidade é um potencial muito importante para o homem, para a espécie humana, para o futuro da espécie humana. É preciso salvaguardar esse patrimônio’’, afirma Faria Coimbra Filho.
Teresa dividiu o livro em três partes: História, Personagens e Memórias. A primeira traz uma abordagem da história, interpretando o papel dos viajantes, naturalistas e cientistas que primeiro andaram por aqui, atribuindo um caráter mais pragmático às suas atividades, que visavam, principalmente, identificar possíveis usos para as diferentes espécies locais; em muitos casos resultando em informações a partir das quais estabeleceram-se processos de comércio seletivos e predatórios que tiraram das florestas infinidades de produtos sem quaisquer critérios.
‘‘Os viajantes, chamados naturalistas ou catalogadores, extremamente disciplinados, tinham a missão de descobrir para que serviam os diversos produtos da natureza e como poderiam ser transformados em mercadorias no mercado internacional. Esse era o esforço deles e foram ágeis nisso. É interessante observar que no século passado, já se tinha uma lista de produtos e sua utilização, quase tanto do que se conhece hoje. Isso porque, a madeira era um produto importante para a construção naval. Todo o esforço era no sentido de: para que serve ou como se usa’’, conta.
A primeira parte de ‘‘Saudade do Matão’’ ainda mostra outras faces da devastação, para depois apresentar aspectos sobre legislação de proteção, esforços conservacionistas e instituições voltadas à proteção, desde o antigo Serviço Florestal ao atual Ibama.
A segunda parte apresenta os personagens principais do livro, motivo do próprio projeto, localizando-os na história da conservação da natureza no Brasil, da qual são protagonistas. Adelmar Faria Coimbra Filho, organizador do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, reconhecido como uma das importantes instituições de pesquisa nesta área, em todo o mundo; Alceo Magnanini, com um currículo que se confunde com o das instituições públicas voltadas para a conservação da natureza, como o Conselho Florestal Federal, Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis, Parque Nacional da Tijuca e Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza do Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal;
E, ainda, o almirante Ibsen de Gusmão Câmara, membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia e da Society of Vertebrate Paleontology, dos Estados Unidos, e ex-presidente da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza; Maria Tereza Jorge Pádua, responsável em 1968, pelas unidades de conservação do Departamento de Pesquisa e Conservação da Natureza; Paulo Nogueira-Neto, ex-secretário especial de Meio Ambiente do Governo Federal.
O último personagem do livro é Wanderbilt Duarte de Barros, que morreu meses antes do bedate. Com uma trajetória ousada, Wanderbilt trabalhou no Parque Nacional de Itatiaia e, em 1946, escreveu o seu primeiro livro, ‘‘Parques Nacional do Brasil’’.

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