Maringá O oftalmologista e pesquisador especialista em toxoplasmose, Cláudio Silveira, lança hoje o livro ''Toxoplasmose Dúvidas e Controvérsias'' que traz uma série de descobertas sobre a doença, além de registrar em âmbito científico a ocorrência da maior epidemia do mundo em Santa Isabel do Ivaí (92 km de Paranavaí). O lançamento será realizado durante o 15º Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual, que começa hoje em Curitiba.
Silveira é responsável por grande parte das pesquisas realizadas no mundo sobre toxoplasmose ocular. O oftalmologista foi o primeiro a constatar na década de 70 que a toxoplasmose adquirida após o nascimento é a causa mais frequente de lesões oculares. Até então, os pesquisadores acreditavam que a causa se devia a forma congênita, quando a doença passa da mãe grávida para o filho.
O oftalmologista é de Erechim (RS), onde a toxoplasmose é considerada uma doença endêmica (de notificação constante) em razão do consumo de carne. Em Santa Isabel do Ivaí, a epidemia ocorreu por causa da contaminação no reservatório de água com cistos do protozoário responsável pela toxoplasmose. No local vivia uma gata com filhotes.
Pesquisadores de vários centros nacionais e internacionais conseguiram pela primeira vez isolar o protozoário T.gondii na água, comprovando assim a fonte de contaminação. O registro anterior de maior epidemia no mundo ocorreu em 1995, no Canadá, com 100 casos confirmados da doença. Na ocasião, os pesquisadores desconfiaram da água, mas não conseguiram provas.
Silveira realizou em Santa Isabel do Ivaí exames de fundo de olhos em pacientes com diagnóstico da toxoplasmose e acompanha até hoje os casos de lesões oculares no município. Mais de 600 pessoas foram contaminadas. Pelos estudos realizados por Silveira, estima-se que 12% a 15% desta população adquiriu alguma forma de lesão nos olhos.
Durante os exames, o oftalmologista constatou a ocorrência da toxoplasmose congênita em seis bebês do município. Segundo Silveira, o fato da epidemia ser recente impede conclusões definitivas sobre a toxoplasmose ocular, cuja fonte de contaminação é a água, o que vai exigir o acompanhamento dos pacientes durante anos.
No livro, o oftalmologista traz fatos inéditos como um tratamento preventivo, além de melhora em casos condenados. ''Toxoplasmose Dúvidas e Controvérsias'' mostra também pela primeira vez na literatura mundial que a doença adquirida causa três vezes mais recidivas (reaparecimento de lesões, mesmo após tratamento) que na forma congênita.

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