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Livro mostra preconceito em adoções
Kraw PenasA psicóloga Lídia Weber pesquisou durante três anos para escre ver livroO preconceito entre os casais brasileiros na hora de adotar uma criança e a burocracia do Judiciário para agilizar as adoções são alguns dos pontos principais do livro ‘‘Aspectos psicológicos da adoção’’, da psicóloga e pesquisadora Lídia Natália Weber. O livro traz pesquisas realizadas nos últimos três anos, com 410 pessoas com idades entre 21 e 60 anos. ‘‘Fizemos um retrato do que é a adoção hoje no Brasil, mostrando o preconceito, a burocracia, o pouco interesse no assunto e a demora das instituições e da Justiça de disponibilizar crianças para a adoção’’, diz ela.
Diversas instituições para menores ainda estão sendo visitadas pela psicóloga. De cada 30 crianças abrigadas, 20 foram deixadas em locais públicos pelos próprios pais (praças, lata de lixo, rua, terrenos baldios). ‘‘Este é um dado muito triste. Há uma falta de confiança no setor Judiciário e que se agrava quando se fala em adoção’’, afirma. Um dos casos mais graves verificados por ela é o de um menino de 8 anos, cujos pais foram presos por tráfico de drogas há cinco anos, e que até hoje está com a situação indefinida pela Justiça. ‘‘Ele vai continuar no abrigo até que decidam retirar o pátrio poder dos pais. Isto é uma tragédia para o limbo afetivo da criança’’, argumenta.
Para adotar, os futuros pais enfrentam filas e podem esperar até três anos para ter a vontade atendida. Atualmente, cerca de 600 casais estão na fila da adoção em Curitiba. ‘‘É por isto que a maior parte dos casais, cerca de 55%, acaba buscando a adoção à brasileira’’, lembra. Entre os dados das pesquisas realizadas pela psicóloga – e que foram divulgados com exclusividade pela Folha em outubro do ano passado – está o medo da população (53% dos entrevistados) de ter problemas de hereditariedade com os filhos adotivos. Vinte e cinco por cento teriam medo de adotar crianças que tivessem tido marginais como pais. A pesquisa mostrou ainda que 67,5% acreditam que conhecer a história da família é fundamental antes da adoção. ‘‘Filho adotivo não dá problema. Precisamos acabar com estes preconceitos’’, salienta.
A pesquisa demonstra ainda que as crianças portadoras de deficiência sofrem dificuldade para atrair a atenção dos possíveis pais adotivos. Apenas 25% dos entrevistados disseram que adotariam crianças com algum tipo de deficiência (física ou mental). Outra dificuldade é a intenção do casal em escolher a criança que deseja adotar pelas características da própria família. Dos entrevistados pela pesquisa, 72% pensam que os pais devem escolher as crianças que poderão ser adotadas.
Outra pesquisa realizada dentro da Vara da Infância e Juventude de Curitiba demonstra que o perfil das pessoas habilitadas para adoção na cidade segue um parâmetro. A maioria absoluta era casada (88%), da cor branca (95,24%), católica (76,19%), com idade média entre 35 e 40 anos (33,33%), curso superior completo (71,43%) e renda familiar superior a três salários mínimos (92,86%). As crianças que são procuradas para serem adotadas também seguem um perfil, elas eram fisicamente saudáveis (78%), com idade máxima de seis meses (45%), brancas (66,67%) e meninas (26,19%). (L.P.)

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