Marcelo AlmeidaRegina Sliwiany: ‘‘Método permite visão global e análises intersetoriais’’Estrelas dos discursos políticos, os avanços e as necessidades sociais são quase sempre avaliados através da guerra verbal entre autoridades que apregoam melhoras e opositores que criticam a falta de ação. Mas é possível escapar do bate-boca e chegar a índices estatísticos de qualidade de vida. É com o objetivo de mostrar como fazer isso que a doutora em planejamento social Regina Sliwiany acaba de lançar o livro ‘‘Sociometria - Como Avaliar a Qualidade de Vida e Projetos Sociais’’.
O livro é baseado principalmente na experiência de Regina numa sociedade socialista: a Polônia da década de 70, onde ela fez pós-graduação em estatística e o doutorado na área de planejamento social. ‘‘No sistema socialista, o número aparece como expressão de qualidade, enquanto que a visão americana é numericista, de produção’’, afirma a autora, cuja proposta também aproveita a metodologia usada pela ONU em estudos sobre qualidade de vida.
Segundo Regina, o método permite mensurar a distância - que todos sabem existir - entre o crescimento econômico e o social. A proposta feita por ela tem adaptações em relação à metodologia da ONU. Aos sete grupos de necessidades sociais considerados pelo organismo internacional (alimentação, saúde, habitação, educação, lazer, Previdência e excedente econômico), Regina adicionou dois: segurança e transporte.
Após obter os parâmetros mínimos e máximos para cada item, é medida a distância entre a realidade e o que seria considerado o ‘‘estado ótimo’’. ‘‘A vantagem desse método é que permite uma visão global e também análises setoriais e intersetoriais’’, afirma Regina.
Para quem podem servir tantas contas e índices? Em primeiro lugar, para administradores públicos efetivamente interessados em conhecer a realidade e saber melhor onde e quanto investir para melhorar as condições sociais.
Outro uso importante pode ser feito por comunidades e organizações não governamentais interessadas em controlar gastos públicos. ‘‘A participação popular é um instrumento restrito se não for baseado em dados concretos’’, afirma Regina.
A autora admite que, no Brasil, ainda falta uma cultura que permita melhor aplicação de sua metodologia. ‘‘Pouca gente no Brasil gosta de ser avaliada, muito menos políticos e administradores públicos’’, afirma. Um dos fatores que pode forçar essa avaliação, segundo Regina, são as crescentes exigências de organismos internacionais para conceder empréstimos.
A metodologia proposta no livro já foi utilizada em dois estudos sobre qualidade de vida em Curitiba. A Secretaria Estadual do Planejamento também poderá utilizar o método para avaliar os efeitos dos investimentos feitos pelo programa Comunidade Solidária em 82 municípios paranaenses.

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