Livro de ex-preso político é relançado
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terça-feira, 31 de março de 1998
Marcos Zanatta 
Marcos NegriniNo livro, o escritor Ildeu Manso Vieira relembra o período de torturaO escritor Ildeu Manso Vieira relança amanhã o livro Memórias torturadas (e alegres) de um preso político, extraído do diário de prisão que escreveu durante o período da ditadura militar. A solenidade está marcada para as 20 horas na biblioteca da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Vieira foi sequestrado, torturado e preso pelo Exército em setembro de 1975.
Durante três anos que ficou na cadeia em Curitiba, passando pelo Doi/Codi, DOPS, cadeia da PM e pela Prisão do Ahu, Vieira escrevia dentro das condições que encontrava. Muitas vezes usava papel higiênico e pontas de lápis, conseguidas com os guardas da prisão sem conhecimento dos superiores, lembra.
Outro problema era tirar da cela e guardar todos os manuscritos fora da cadeia. As páginas do diário eram quase sempre tiradas da prisão pelos filhos de Vieira, todos menores que não passavam pela revista da guarda. A gente colocava os papéis dentro da cueca deles, explica.
Fora das celas, os manuscritos eram espalhados por casas de parentes e conhecidos. O procedimento era necessário para não despertar suspeitas da polícia e do Exército, que promoviam revistas semanais na casa onde morava a família de Vieira.
Entre as diversas acusações que pesaram contra ele, estão a de participar de cursos de guerrilha em Cuba e de ter dado fuga a adeptos da luta armanda. Realmente ajudei a simpatizantes da guerrilha a saírem do País, mas sempre fui contra qualquer ação de violência. Sempre lutávamos pelo poder através do voto, afirma. O livro de Vieira foi lançado pela Editora Oficial e teve 6 mil exemplares vendidos no Paraná. Agora a obra será relançada pela Editora da Universidade Estadual de Maringá (Eduem) e a intenção é promover a venda em outros estados.
O Memórias alegres..., segundo Vieira, é apenas uma parte do diário de prisão, que tem no total 1.880 páginas e vai gerar novas obras. O primeiro livro conta como era o dia-a-dia dentro das celas, descrevendo o sofrimento e a dor de cada um dos companheiros torturados e com os direitos agredidos ao extremo, revela Vieira. A próxima obra dele, que está na fase de revisão, será o Sequelas das torturas, onde narra a vida depois da prisão de 28 anistiados de várias regiões do País e o trabalho dos advogados que lutaram pelos direitos humanos.


