Livro conta os 25 anos de Itaipu
Livro conta os25 anos de ItaipuLivro homenageia os 25 anos da maior hidrelétrica do Planeta e conta tudo sobre a obra que consumiu concreto, ferro e aço suficientes para se construir 210 estádios como o Maracanã
Kraw PenasFascinadoNilson Monteiro mudou de opinião a respeito da hidrelétricaVivian de Albuquerque
A Itaipu Binacional promove, na próxima quarta-feira, o lançamento do livro Itaipu, a Luz. E, com ele, traz à tona toda a história da construção de uma das maiores obras já feitas pelo governo brasileiro, que completa 25 anos. Ao todo, são 130 páginas fartamente ilustradas e elaboradas em quase dois anos de trabalho, que mostram desde as intensas negociações, ainda na década de 60, entre os governos do Brasil, Paraguai e Argentina, para a implantação de uma hidrelétrica no Rio Paraná, até a verdadeira aventura humana que foi a construção da usina.
Fotos: ReproduçãoConsumo médio anual de cimento era de 500 mil toneladas. Obras não podiam parar, dia e noite, sempre em ritmo aceleradoUm dos jornalistas envolvidos no processo de elaboração do livro (texto e edição) é o diretor executivo da Gazeta Mercantil no Paraná, Nilson Monteiro. Antigo contestador da construção da usina e de sua necessidade, hoje, depois do trabalho feito junto à Itaipu, ele se diz convencido de que a obra foi realmente indispensável para o País. Acho que sem a Itaipu, já estaríamos há muito tempo às escuras, comenta Monteiro. Antes de fazer o livro eu tinha uma visão estrábica do que era a necessidade de energia elétrica no País. Sempre tive a dúvida do que seria melhor: uma Itaipu, ou várias itaipus distribuídas por todo o Brasil. Ela continua. Só que hoje tenho certeza de que construí-la foi realmente necessário.
Barragens demolidas para dar passagem ao Rio Paraná. Operação durou três segundos e consumiu 58 toneladas de explosivosPara contar a história da maior hidrelétrica em operção no Planeta, que também traz um acervo de mais de 100 fotos, Monteiro revela que leu pelo menos uma dúzia de livros, além de conversar com vários técnicos e funcionários que contribuíram para a construção. Meios através dos quais conseguiu descobrir fatos marcantes como o interesse do próprio Jânio Quadros e também de João Goulart, ex-presidentes do Brasil, na realização da obra. Até então eu sempre tinha achado que era o governo militar quem queria ganhar nome em cima da Itaipu, esclarece o jornalista.
Eixo da turbina, com peso de 13 toneladas: acoplado à roda da turbina e ao gerador permite transformar energia mecânica em energia elétricaE isso sem falar nas curiosidades. Segundo Monteiro, uma dos fatos que mais marcou suas visitas à Itaipu foi o estranho caso dos limoeiros. Foi meio engraçado, conta ele. Passeando por perto de onde ficavam os alojamentos eu reparei numa fileira de limoeiros. Não consegui conter a curiosidade e perguntei como eles tinham ido parar ali, em plena usina. A resposta, dada por um dos engenheiros foi ainda mais surpreendente. Na época da construção era proibido aos peões o contato com álcool e mulheres. Mas comum, mesmo assim, o preparo de garrafas de caipirinhas que eram escondidas debaixo da cama.Quando a fiscalização ia até os galpões, continua Nilson. A caipirinha era jogada pela janela. Foram as sementes delas que deram origem à plantação de limões.
Relatos como este, contidos também no livro, ainda contam com a colaboração de outro jornalista. Foi Joel Sampaio, que na época trabalhava na Itaipu, que fez todo o trabalho de pesquisa de campo. Ele viajou muito, entrevistando várias pessoas, explica Nilson. E, com ele, descobri muitas outras coisas interessantes que não estão na edição. Acho que ela é muito didática e boa, por exemplo, para os alunos das escolas do País. Mas dezenas de páginas que contam a história e a política acabaram ficando de fora por ser um livro comemorativo. O que não impede que um dia eu ainda venha a publicá-las, garante.
Para os jornalistas, o ideal era que Itaipu, a Luz fosse uma espécie de homenagem a todos aqueles que trabalharam na obra. Gente que emprestou seus cérebros e mãos para a construção da usina monumental, enfatiza o autor do texto do livro. Isso seria realmente vital para mim, comenta Monteiro.
A coordenação editorial do trabalho foi do jornalista Hélio Teixeira e as fotografias que ilustram o livro são de Gernot Berger, Masao Nagata, Helmuth Wagner, Orlando Azevedo, Nani Goes, Zig Koch, Ivan Bueno, Caio Francisco Coronel, Júlio César da Costa Souza, Milton Schwambach e Acervo da Assessoria de Comunicação Social.
As águas doces do Rio Paraná, correndo sobre espessos derrames basálticos, em busca do mar, lavaram (...) quaisquer animosidades entre dois povos e fizeram do respeito mútuo e da cooperação a base fundamental da abertura de caminhos para possibilitar a construção daquela que é considerada uma das sete maravilhas da era moderna
O aproveitamento de um dos pequenos saltos existentes em Sete Quedas, em Guaíra, foi o que se pode chamar de antevisão do projeto de Itaipu, com interesses precoces, mas que, na prática, nunca passaria de uma modesta usina. Ao final da história, as quedas fantásticas e suas águas revoltas ficaram submersas a 190 quilômetros da grande usina que viria a ser construída
Em uma reunião que teve a presença do presidente Ernesto Geisel, do ministro Golbery do Couto e Silva, do chanceler Azeredo da Silveira, do embaixador João Hermes e do presidente e do diretor de Planejamento da Eletrobrás, respectivamente, Antonio Carlos Magalhães e Licínio Seabra, foi tomada a decisão final brasileira
Homem de estilo contido e cortês, o mineiro Rubens Vianna de Andrade era quem dirigia o canteiro de obras (...), uma verdadeira cidade que chegou a ter 15 mil peões, sem registrar distúrbios, crimes ou ocorrências mais graves





