Livro conta história de tipógrafo que completa 100 anos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniLongevidadeEmílio: Ainda espero ver o nascimento de mais um séculoO tipógrafo Emílio Doehnert, que completou 100 anos de idade anteontem, está se preparando para assistir o alvorecer de mais um século. Todos os detalhes, pelo menos os que ele considera mais importantes, de seu centenário de vida estão muito bem guardados em sua memória. A partir de agora também estão descritos num livro (A Vida de Emílio Doehnert), que foi lançado ontem à noite em Maringá, na Igreja Adventista.
O livro conta sua trajetória de vida, que começou em Joinville (SC), onde nasceu, passou por Curitiba e São Paulo, Washington, Nova Iorque, Hamburgo e continua há 13 anos em Maringá, na casa da filha Ester, a mais nova. Emílio tem quatro filhos: Ester, Guido, Valdemar e Roberto, este o mais velho, com 74 anos e que escreveu o livro sobre a vida do pai. Todos são aposentados. Tem nove bisnetos e dois tataranetos.
Emílio raciocina com rapidez - não precisa rebuscar a memória para falar de sua vida. Chora quando se refere à mulher, Marta, falecida em Maringá há dois meses, com quase 96 anos de idade.
Ele tinha dez anos quando saiu de Joinville para trabalhar em Curitiba. Seu pai era mecânico; os avós, alemães. Em Curitiba, trabalhou como tipógrafo em jornais da comunidade alemã. Aos 20 anos, entrou para o seminário do Colégio Adventista de São Paulo, onde cursou Teologia por três anos. Depois, trabalhou durante 13 anos como gerente da Casa Publicadora Brasil, de Santo André, que pertence aos adventistas. Foi lá que conheceu sua mulher.
Emílio é aposentado e recebe um salário mínimo do Funrural e R$ 400,00 de seu trabalho como tipógrafo e na editora. É vegetariano, faz exercícios diários, não toma remédios e a leitura é o seu passatempo. Ele tem saúde para ver mais uma passagem de século, torce o filho e pastor adventista Roberto.
Não gostaria de viver mais uma vez a mesma vida. Estou cansado. A humanidade piorou em todos os sentidos, principalmente no relacionamento familiar. Não há mais respeito e nem amor...Não gosto de falar sobre os políticos. Estamos vendo os piores. Apesar disso, sou muito feliz e tenho alegria em viver... Conheci todas as capitais do Brasil, mas não me lembro de ter conhecido uma cidade tão bonita como Maringá.


