A Secretaria Estadual da Educação não pretende retirar das escolas da rede pública o livro didático ‘‘Brasil - Uma História em Construção’’, acusado pelo pai de um aluno de Campo Mourão de incentivar o racismo. ‘‘Somos unânimes em assegurar a qualidade pedagógica do livro e, no capítulo em questão, está muito claro que a intenção é provocar uma discussão crítica sobre o preconceito’’, defendeu Anacília Carneiro Cunha, da equipe pedagógica do ensino de 1º grau.
A denúncia contra o livro foi feita pelo mecânico José Irineu Lídio. Ele diz que o filho, Drumont, que é negro, foi humilhado por colegas brancos com a repetição de quadrinhas e provérbios preconceituosos citados no livro.
Os textos foram transcritos de um outro livro, do sociólogo Florestan Fernandes, como forma de ilustrar o preconceito na sociedade brasileira. Uma das quadrinhas diz: ‘‘O negro é burro de carga/o branco é inteligente/o branco só não trabalha/porque o preto não é gente’’.
‘‘A intenção dos autores é justamente o oposto do que foi denunciado: é trazer à tona uma questão muito camuflada no Brasil, para que cada aluno tire suas conclusões sobre a existência ou não de preconceito no País’’, afirma Anacília. Segundo ela, o mesmo capítulo usa como textos complementares um ‘‘rap’’ que aborda o racismo e uma redação feita por uma menina de oito anos, sobre as diferenças entre brancos e negros.
A chefe do Departamento de Ensino de 1º Grau da Secretaria, Zélia Marochi, diz que ‘‘as aulas de História devem promover uma análise crítica do processo histórico e não podemos colocar luvas para tocar na realidade, que é dura’’.
Anacília afirma que a proposta do livro - não linear, como os livros tradicionais de História - ‘‘talvez dificulte o trabalho de professores mais inexperientes’’. ‘‘Pode haver casos isolados em que professores sem formação na área não trabalhem o potencial do livro adequadamente’’, disse.
Ela informou que o livro, utilizado em toda a rede pública estadual de 1º grau desde o ano passado, foi selecionado através de licitação, por uma equipe de professores da área de História representando os 30 núcleos regionais de educação do Estado. ‘‘Ele foi escolhido pelo seu conteúdo crítico e reflexivo sobre a sociedade brasileira’’, afirmou.

mockup