Livro aborda 'capitalismo natural'
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O físico nuclear e consultor ambiental Amory Lovins lança na quarta-feira, em Curitiba, a edição nacional do livro Capitalismo Natural Criando a Próxima Revolução Industrial. A obra traz informações sobre o desenvolvimento de empresas e indústrias em todo o mundo que têm se destacado através do apoio a atividades ambientais. A mentalidade empresarial está mudando e a experiência demonstra que as pessoas que pensam de forma avançada, com cuidados com o meio ambiente e trazendo esta realidade para as questões econômicas de custos e receitas, conseguem maior credibilidade e lucro, destaca. De acordo com ele, a meta é evitar o desperdício e proteger o meio ambiente.
Segundo o consultor ambiental, o Brasil tem perfil para assumir a liderança nacional de atividades de conscientização. O Paraná e Curitiba podem ser o núcleo disto, sugere. Ele diz que o projeto integrado de redução de custos e corte de desperdícios é fundamental para o crescimento das atividades ambientais.
O uso racional da água em empresas e indústrias também é uma das preocupações do físico nuclear, que estará dando palestra entre os dias 22 e 25 de maio, na sede do Centro Integrado de Empresários e Trabalhadores do Estado do Paraná (Cietep), em Curitiba, sobre produtividade. Temos que progredir no sentido de economizar a água. Usá-la de forma barata, afirma. Ele cita como exemplo o sistema de irrigação em gotas, utilizado em Israel. Oitenta e sete por cento da irrigação feita no mundo é de forma irracional. Temos que seguir o modelo de Israel, que já está dando certo e mostra como usar a água, tendo lucro, declara.
Amory Lovins critica o uso do chuveiro elétrico no Brasil que, de acordo com ele, é feito de forma irracional. Ele visitou o Rio Grande do Sul, onde o consumo de energia elétrica com chuveiros é maior do que a capacidade de produção. Pode-se imaginar que um estado tenha que importar energia para chuveiros elétricos?, questiona. Os dados de Lovins demonstram que um oitavo da carga de pico de energia do Brasil é gasto com chuveiros elétricos. Temos que substituir estes chuveiros por tecnologias mais modernas e baratas, diz.
Para Lovins, as nações deveriam se preocupar mais com as reservas ambientais. Ele lembra de um episódio ocorrido na China, quando milhares de pessoas foram atingidas pelas enchentes. O problema foi ocasionado pelo desmatamento. Tiveram que ser investidos US$ 12 bilhões para um reflorestamento nacional. Se eles tivessem percebido isto antes, dando valor ao meio ambiente, o desastre poderia ser evitado, declara. Na opinião dele, o Brasil tem uma riqueza natural ainda maior que precisa ser preservada a qualquer custo. A Amazônia é um tesouro. Ela vale muito mais do que a venda de madeiras que podem ser retiradas da floresta, diz.


