Livres do cigarro, definitivamente
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Nada de simpatias, nada de promessas impossíveis de ser cumpridas. Um grupo de funcionários do Hospital do Coração de Londrina está encarando o desafio de parar de fumar de maneira muito mais eficiente: com apoio de profissionais que conhecem os caminhos que levam ao vício e, consequentemente, as formas de combatê-los.
Coordenado pela fisioterapeuta Ana Luiza Oliveira Prado Souza e pela odontóloga e fisiologista Andréa Carraro Oliveira Badin, o Programa de Abandono do Tabagismo com Acompanhamento Científico foi criado em agosto do ano passado. Das 20 pessoas atendidas nestes nove meses, só uma voltou a fumar. ''O programa dá muita tranquilidade ao paciente, na medida em que fornece todas as informações científicas sobre a dependência e derruba alguns mitos, como o de que é possível tornar-se um fumante só de fim de semana'', explica Andréa.
No início do tratamento são feitos exames para testar a capacidade respiratória e raio-x do tórax, que serão repetidos depois de um ano. Nesta fase também é realizado o teste de Fargertrom, que avalia o grau de dependência de cada paciente. Baseada nestes dados, a equipe faz a prescrição individual do medicamento anti-depressivo e dos adesivos de nicotina importantes aliados na etapa inicial do programa, que vão sendo diminuídos gradativamente, conforme a dependência vai sendo vencida.
Ana Luiza, que é especialista em problemas respiratórios e mestre em programas antitabagismo, esclarece que os medicamentos são necessários e recomendados pelo Ministério da Saúde, desde que com o devido acompanhamento profissional. ''O tabagismo é reconhecido hoje como uma epidemia, uma doença grave que deve receber tratamento adequado para ser combatida'', explica a fisioterapeuta.
Reconhecer-se doente também é condição para que o paciente tenha sucesso no tratamento. ''Se o paciente não se reconhece como uma pessoa que precisa de tratamento, ele se recusa a buscar ajuda'', diz Andréa. Na primeira fase, o paciente é acompanhado semanalmente durante cinco semanas , depois mensalmente e, por fim, trimestralmente.
A seriedade do tratamento não significa, porém, que o fumante seja submetido a terrorismos. Andréa e Ana Luiza costumam dizer ''que o paciente tem que parar de fumar por vontade de viver, e não por medo de morrer.'' Além do apoio profissional, as experiências mostram que a companhia de outras pessoas na mesma situação tem papel fundamental no abandono do tabagismo. As criadoras do programa explicam que apenas 3% dos fumantes conseguem largar o cigarro sozinhos. Destes, menos de 1% consegue ficar em abstinência por mais de um ano.
Serviço: O Programa de Abandono ao Tabagismo é aplicado em empresas, instituições, hospitais e também é aberto à comunidade. Mais informações pelo fone 3315-2000.


