Livre das drogas, rapaz já pensa em cursar faculdade
Foi difícil, mas o sãopaulino doente e atacante de final de semana Ricardo Batista da Cruz, 23 anos, conseguiu superar as dificuldades da adolescência, abandonou as ruas e as drogas e trabalha há três anos como controlador de estoque no Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). No próximo dia seis de julho, ele vai ser pai pela terceira vez. Voltou a estudar, está concluindo o ensino médio, mas tem dúvidas sobre qual faculdade cursar: agronomia ou serviço social.
O pai ele nunca conheceu. O padrasto também tinha envolvimento com drogas e chegou a ficar preso por alguns anos acusado de roubo. Morreu atropelado após sair da prisão. Antes de sair de casa, aos 14 anos, Ricardo trabalhava como engraxate para ajudar a mãe, que era doméstica. Nas ruas, foi viver com um grupo de 15 a 20 adolescentes na região da Concha Acústica. O que mais lhe atraía era a liberdade que havia alcançado vivendo fora da casa da mãe.
O jovem conta com tristeza que um irmão que tentou retirá-los da vida da rua acabou saindo de casa também e passou a perambular pelo centro da cidade, só que numa turma diferente. Depois de dois anos longe da família, Ricardo foi para uma casa-abrigo, onde já estava o irmão. Mas, depois de um tempo afastado das drogas, Ricardo retomou o vício e abandonou o emprego que tinha na prefeitura.
Aos 17 anos foi morar com uma garota de 16 anos, com quem teve a primeira filha. Através do Programa de Encaminhamento ao Trabalho e Escola (Pete), Ricardo foi trabalhar no Cemitério João XXIII. Mesmo assim, continuou se drogando. ''Parecia que era o leite de uma criança. Primeiro eu comprava a droga e depois ia pagar minhas contas''.
Quatro anos atrás, porém, vendo a filha crescer, decidiu abandonar de vez o vício. Há três anos, trabalha no Provopar. Hoje, Ricardo vive com uma outra mulher com quem tem uma filha de um ano, Joice, e em seis de julho deve nascer seu terceiro filho.
''Tenho minhas duas jóias raras que são minhas filhas, estou prestes a ser pai novamente, tenho um emprego... Para mim, isso tudo é muito gratificante'', afirma Ricardo. Assim como Ana, ele acredita que só deixa a rua quem realmente tem esse desejo. ''Para a pessoa mudar, não tem projeto, clínica, nem instituição que dê jeito. Uma instituição ajuda mas não faz ninguém mudar de vida'', acrescentou.





