Curitiba – As praias do litoral paranaense estão lotadas. Mais de 1,2 milhão de veranistas estão passando as férias nas principais praias do Estado. Na virada do ano, eram mais de 2 milhões de pessoas. Tradicionalmente, os serviços essenciais do governo do Estado são transferidos para o litoral com o intuito de evitar problemas como falta de água, de energia, acidentes de trânsito, afogamentos, furtos e roubos. Mesmo com as equipes redobradas, faltou água em vários balneários nos dias 30 e 31 de dezembro (os principais de Matinhos e Pontal do Paraná). Em alguns condomínios residenciais, o abastecimento ocorreu com o auxílio de caminhões-pipa.
  De acordo com a assessoria de imprensa da Sanepar no litoral, a falta de água nos dois dias ocorreu por problemas pontuais. No dia 30, um motorista alcoolizado teria batido o carro contra um poste de energia. Houve queda de energia e os equipamentos da Sanepar pararam de distribuir água por cerca de duas horas. No dia 31, a chuva forte comprometeu novamente a distribuição de água e de energia. Ruas ficaram alagadas. A interrupção no fornecimento de água, segundo a assessoria de imprensa, teria sido fundamental para evitar problemas técnicos e riscos de curtos no sistema energético. Foram registradas 66 reclamações por falta de água nos dois dias. Em menos de duas horas, todas as ligações estavam reestabelecidas.
  A Sanepar nega que possa ocorrer falta de água como em anos anteriores – quando era necessário rodízio para atender toda a demanda do litoral.
  A infraestrutura de restaurantes e bares está pronta para receber os turistas. São 400 restaurantes e 300 bares e casas noturnas. Os hotéis têm mais de 5 mil quartos para os veranistas. No final do ano, cerca de 95% deles estavam lotados.

Trânsito – O trânsito no litoral paranaense durante a temporada fica caótico. Na beira-mar, não é difícil ver carros trancando as ruas com o som alto ligado. Foi exatamente por conta dos abusos dos veranistas que o jornalista Manoel Carlos Karam, de 59 anos, resolveu voltar antes da virada do ano para Curitiba. Ele tem casa num balneário tradicionalmente pouco movimentado: Caravelas. Mas este ano Karam não teve sorte. Enfrentou o descaso dos veranistas. ‘‘Em épocas tumultuadas não dá para passar na praia. As pessoas são mal educadas. A alternativa é não ir e pronto’’, relatou.
  Um dos maiores problemas é o som alto. Não é raro ver os jovens estacionando os carros nas ruas ou em frente as casas onde estão e ligar o som alto. ‘‘Eles (os jovens) se divertem. Mas não somos todos obrigados a ouvir aquilo que eles gostam. É um bate-estaca. Quero ler e não consigo. Isso quando não tem quatro casas com jovens diferentes, ouvindo músicas na mesma altura, todas diferentes. Não se entende nada. Eu não sei o que é. Deve ser um problema cultural. Para a população, a praia é festa. Vale tudo’’, relata indignado.

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