Litoral tem 1,2 milhão de veranistas
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quarta-feira, 03 de janeiro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba As praias do litoral paranaense estão lotadas. Mais de 1,2 milhão de veranistas estão passando as férias nas principais praias do Estado. Na virada do ano, eram mais de 2 milhões de pessoas. Tradicionalmente, os serviços essenciais do governo do Estado são transferidos para o litoral com o intuito de evitar problemas como falta de água, de energia, acidentes de trânsito, afogamentos, furtos e roubos. Mesmo com as equipes redobradas, faltou água em vários balneários nos dias 30 e 31 de dezembro (os principais de Matinhos e Pontal do Paraná). Em alguns condomínios residenciais, o abastecimento ocorreu com o auxílio de caminhões-pipa.
De acordo com a assessoria de imprensa da Sanepar no litoral, a falta de água nos dois dias ocorreu por problemas pontuais. No dia 30, um motorista alcoolizado teria batido o carro contra um poste de energia. Houve queda de energia e os equipamentos da Sanepar pararam de distribuir água por cerca de duas horas. No dia 31, a chuva forte comprometeu novamente a distribuição de água e de energia. Ruas ficaram alagadas. A interrupção no fornecimento de água, segundo a assessoria de imprensa, teria sido fundamental para evitar problemas técnicos e riscos de curtos no sistema energético. Foram registradas 66 reclamações por falta de água nos dois dias. Em menos de duas horas, todas as ligações estavam reestabelecidas.
A Sanepar nega que possa ocorrer falta de água como em anos anteriores quando era necessário rodízio para atender toda a demanda do litoral.
A infraestrutura de restaurantes e bares está pronta para receber os turistas. São 400 restaurantes e 300 bares e casas noturnas. Os hotéis têm mais de 5 mil quartos para os veranistas. No final do ano, cerca de 95% deles estavam lotados.
Trânsito O trânsito no litoral paranaense durante a temporada fica caótico. Na beira-mar, não é difícil ver carros trancando as ruas com o som alto ligado. Foi exatamente por conta dos abusos dos veranistas que o jornalista Manoel Carlos Karam, de 59 anos, resolveu voltar antes da virada do ano para Curitiba. Ele tem casa num balneário tradicionalmente pouco movimentado: Caravelas. Mas este ano Karam não teve sorte. Enfrentou o descaso dos veranistas. Em épocas tumultuadas não dá para passar na praia. As pessoas são mal educadas. A alternativa é não ir e pronto, relatou.
Um dos maiores problemas é o som alto. Não é raro ver os jovens estacionando os carros nas ruas ou em frente as casas onde estão e ligar o som alto. Eles (os jovens) se divertem. Mas não somos todos obrigados a ouvir aquilo que eles gostam. É um bate-estaca. Quero ler e não consigo. Isso quando não tem quatro casas com jovens diferentes, ouvindo músicas na mesma altura, todas diferentes. Não se entende nada. Eu não sei o que é. Deve ser um problema cultural. Para a população, a praia é festa. Vale tudo, relata indignado.


