Curitiba A Polícia Florestal atendeu, no ano passado, 759 ocorrências referentes a crimes ambientais no litoral do Paraná. De acordo com o balanço divulgado ontem pelo comando da Polícia Militar, as apreensões de palmito ilegal lideraram o ranking de autuações, com 291 registros. Os crimes contra a fauna ocuparam o segundo lugar, totalizando 208 ocorrências; seguidos da pesca, que somaram 179 casos.
Os trabalhos da Polícia Florestal resultaram na prisão de 17 pessoas, autuação de outras 119 e na apreensão de 36 armas, 8.718 metros de redes, 71 tarrafas, 5.219 unidades de palmito ''in natura'', 1.553 vidros de palmito industrializado, e mais de duas toneladas de camarão. Ao todo são 25 policiais divididos em três equipes que se revezam no atendimento das ocorrências. O Pelotão Florestal, como é denominado, se concentra em Guaratuba. Também faz parte da área de abrangência do pelotão a região de Canavieiras, onde existe um posto florestal com nove policiais treinados para proteger uma reserva de Mata Atlântica.
Para o diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, os dados divulgados refletem apenas uma amostragem dos crimes ambientais que ocorrem no litoral paranaense. A exploração do palmito, por exemplo, um dos principais problemas segundo o ambientalista ''é crônica e está muito longe de ser inibida''. ''Falta fiscalização integrada entre os órgãos ambientais e vontade política'', avaliou Borges.
O diretor da SPVS afirmou também que a Polícia Florestal faz um trabalho sério, mas falta apoio de outros órgãos como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) para reforçar o trabalho de fiscalização. O ambientalista disse acreditar que o problema do roubo de palmito poderia ser minimizado se houvesse controle rigoroso do produto que sai das fábricas. ''É preciso moralizar este processo'', comentou.
Ainda com relação aos crimes contra a flora, Borges citou o desmatamento em áreas urbanas por interesses econômicos e que ficam à margem da fiscalização. Os principais crimes contra a fauna, segundo Borges, são a caça e o tráfico de animais.

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