Luciana Pombo
De Curitiba
O litoral paranaense parece estar abandonado pelas autoridades estaduais e municipais. Com cerca de 247,4 mil habitantes, os sete municípios que compõem o litoral do Estado recebem na temporada cerca de 1,6 milhão de pessoas (entre turistas e veranistas). Apesar do grande contingente durante os meses de dezembro a março, os turistas reclamam da falta de infra-estrutura, saneamento e limpeza das praias. De acordo com eles, faltam hotéis e restaurantes. ‘‘Nosso litoral é bonito, mas não tem estrutura. O governo tem que começar a investir em coisas belas, em hotéis e restaurantes’’, diz Sônia Mendes dos Santos, de 46 anos, auxiliar de cartório. Rosimari Sierpinski, 37 anos, que também trabalha em cartório, afirma que os preços dos pescados e camarões são absurdos no litoral.
Uma das maiores reivindicações apresentadas é a melhoria da malha viária. Rodovias estaduais precisam ser restauradas ou duplicadas. Em alguns finais de semana, uma viagem que deveria demorar cerca de 15 minutos, entre Praia de Leste e Pontal do Sul, chega a durar três horas. ‘‘Acho que para atrair turismo de outros estados, temos que começar arrumando nossas praias. Temos que ter melhor condições de nos locomover de uma praia para a outra’’, defende a doméstica Deise de Castro Gutierrez, de 32 anos.
Os boletins de balneabilidade do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) demonstram que algumas praias chegam a apresentar uma extensa área de locais impróprios para o banho. Quase 5% dos 94 quilômetros de praia estão em péssimas condições. O boletim do IAP divulgado no último dia 27, demonstrou que 31 dos 41 pontos monitorados pelo instituto estavam impróprios para o banho. Os locais verificados são – principalmente – densamente povoados, próximos a rios, canais, galerias de águas pluviais e locais de lançamento de esgoto. ‘‘As chuvas também pioraram a qualidade da água. São necessárias obras urgentes para reverter este processo’’, diz Hamilton Bonatto, chefe do IAP no litoral paranaense.
Mesmo nos locais impróprios para banho, é comum se verificar a presença de dezenas de banhistas. Até mesmo perto de canais de esgoto, muitos nativos acabam descansando, lavando produtos e materiais de venda. Até os locais mais limpos recebem críticas dos veranistas. ‘‘A água em Matinhos é muito poluída. Nossos amigos voltaram com vergões para Curitiba após entrarem na água. E num lugar próprio para o banho’’, declara o engenheiro José Humberto Damigo, de 56 anos. ‘‘Em Praia Grande vi peixes mortos na praia. E as pessoas entravam na água sem qualquer tipo de restrição’’, conta a professora Maria Amélia Nogeira, de 52 anos.
Projetos O governo do Estado já disponibilizou US$ 60 milhões para reverter a situação no programa ParanaSan. As obras para melhoramento das condições sanitárias do litoral deverão estar concluídas em dois anos. As obras de incentivo ao turismo e de melhorias de infra-estrutura, de acordo com o governo do Estado, já começaram a ser realizadas. No ano passado, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano investiu cerca de R$ 66 milhões no litoral paranaense. Já a Copel investiu R$ 34,75 milhões e a Sanepar outros R$ 5,7 milhões.
No ‘‘tour’’ realizado pela Folha nas principais praias paranaenses foi possível ver ainda que faltam lixeiras nos principais balneários e em quase toda a extensão da praia.Estradas tumultuadas e muito lixo são algumas das principais reclamações dos turistas e prefeitos do litoral paranaense
José SuassunaIMPRÓPRIASCalçadas destruídas e água sem condições de banho, são alguns dos problemas do litoral paranaense, mas turista também tem outras reclamações

mockup