Curitiba - O sol voltou a brilhar, ontem, no Litoral paranaense para alívio de veranistas e moradores de Matinhos, que tiveram suas casas alagadas depois de quase 15 horas de chuva intensa da noite de sexta-feira até a manhã de sábado. Mesmo depois de 24 horas sem chover, algumas casas continuavam ilhadas na localidade de Mangue Seco, uma das mais atingidas pela cheia do Rio das Onças, que corta a região.
Algumas ruas das localidades de Mangue Seco, Tabuleiro e Sertãozinho também permaneciam alagadas e intransitáveis. Já nas rodovias que dão acesso ao Litoral Alexandra-Matinhos (PR-407) e a Estrada por Praia de Leste (PR-508) o tráfego ontem já estava normalizado. Alguns trechos dessas estradas ficaram interditados durante quase todo o sábado.
A maioria das cerca de 200 pessoas que ficaram desabrigadas em Matinhos e Guaratuba pôde voltar para casa. Ontem foi dia de contabilizar os prejuízos e tentar recuperar o que sobrou. O pedreiro Ademir Soares, 26 anos, desconsolado, conta que perdeu geladeira, máquina de lavar roupa e todos os móveis da cozinha. A água invadiu sua casa e subiu a meio metro das paredes. ''Na hora do apuro só pensei em salvar a mulher e os filhos'', lembrou.
A família de Soares buscou abrigo em uma casa vizinha. Apesar do nível ter baixado, a água continua tomando conta da frente da casa do pedreiro. Ele diz que só irá retornar, quando estiver tudo seco, pois teme pela segurança dos quatro filhos pequenos, já que há risco de cobras, ratos e aranhas invadirem a casa.
Soares mora na localidade de Mangue Seco, em Matinhos, desde que nasceu e garante que nunca havia passado por uma situação dessas. ''Isso tudo é por causa da incompetência. Se tivessem limpado o rio não teria acontecido nada disso'', criticou.
O também pedreiro Valdemar Valles, vizinho de Soares, tem a mesma opinião sobre o que causou a enchente. Ele lembra que há cerca de 10 anos, Matinhos enfrentou chuvas torrenciais como as da última sexta-feira, mas como o rio estava limpo, deu conta de escoar a água.
Valles teve mais sorte, pois a água não chegou a entrar em sua casa e ele ainda pôde dar abrigo para as quatro pessoas da família vizinha do servente de pedreiro Adão Lau.
Em Guaratuba, todas as 50 pessoas que tiveram que deixar suas casas no sábado, por causa das fortes chuvas, já retornaram às residências ontem. Os rios baixaram e não há mais ruas obstruídas. Na estrada que leva à praia de Caieiras, próxima ao ferry-boat, foi removida a barreira que deixou a localidade isolada e o fluxo de carros normalizou-se. A maior reclamação continua sendo a falta de água potável que atrapalha a população há cerca de duas semanas.

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