Historicamente, os índios vivem conflitos fundiários pelo domínio da terra. Mesmo em áreas demarcadas, muitas vezes há disputas entre o homem colonizador e o índio.
Na região Norte do Estado, duas áreas foram palco de brigas entre grileiros e a comunidade indígena nos últimos anos, e só agora começam a encontrar a paz. Na reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, houve últimos três anos uma série de conflitos agrários por causa de um lote de terras, a Gleba do Cedro. Um posseiro acabou assassinado pelo cacique da reserva. Adenilson da Silva Cruz, 25 anos, conhecido como Nego Saruê, comandou seis invasões seguidas à reserva.
Após a última desocupação da área, que aconteceu com queima de dois imóveis construídos para os índios e tiroteios dentro da reserva, Nego Saruê foi morto com três tiros disparados pelo cacique Reginaldo Batarse, em novembro de 1997. Nego Saruê comandou a invasão de 100 famílias numa área de aproximadamente 120 alqueires. Algumas famílias foram retiradas da região em 1985, quando a Funai realizou uma demarcação das terras indígenas, de 583 hectares. Mas um grupo de posseiros não aceitou a transferência para a região de Tamarana e entrou com ações na Justiça. Os limites da Barão de Antonina foram reconhecidos através da portaria assinada em 1991 pelo presidente Fernando Collor de Mello.
‘‘Somente uma pequena área continua em litígio, próximo do distrito de São João do Pinhal. Ali a ocupação é pacífica e está sendo resolvida na Justiça. Três famílias continuam morando e trabalhando no local’’, diz o administrador regional da Funai em Londrina, José Gonçalves.
Justiça Na reserva Pinhalzinho, em Tomazina, outra área foi disputada na Justiça por mais de duas décadas. Quatro famílias, descendentes de um ex-funcionários do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), atual Funai, se fixaram na comunidade após a morte do patriarca. Eles reivindicaram direito à terra, entraram em conflito com os índios várias vezes. Houve até mesmo provocações: eles chegaram a soltar o gado em cima das culturas da comunidade local. Mesmo com o acesso às reservas indígenas só podendo ser realizado com autorização da Funai e da comunidade local, as quatro famílias tinham trânsito livre pelo local.
Recentemente, a Justiça reconheceu o direito dos índios e determinou a saída de duas famílias. Segundo José Gonçalves, da Funai, a comunidade aguarda somente o cumprimento da reintegração de posse. As duas famílias já deixaram a reserva. ‘‘Nos próximos meses a Justiça deve se manifestar quanto às outras duas áreas’’, ressalta.

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