Da Sucursal

Albari Rosa/Folha de LondrinaABUSOThea Baltazar: lista de material da filha, que estuda em escola particular, inclui papel higiênicoMaterial de limpeza e de consumo das escolas não podem ser incluídos nas listas de material escolar para o ano letivo de 97. O alerta é do Procon, para quem a inclusão de material de consumo significa cobrança indevida, principalmente no caso de escolas particulares. ‘‘Não existe uma proibição específica, mas deduz-se que material de limpeza e produtos como papel higiênico estão embutidos nas mensalidades’’, explica Ricardo Pedroso, advogado do Procon.
A corretora de seguros Thea Baltazar, que paga R$ 330,00 de mensalidades para manter dois filhos na Escola Pirâmide do Saber, recebeu lista que inclui papel higiênico. ‘‘Não comprei e pretendo conversar com a escola’’, afirmou ela, que ontem à tarde comprava o material em uma papelaria do Centro de Curitiba.
Por comodidade, muitos pais acabam comprando esse tipo de material, mesmo sabendo que se trata de cobrança indevida. ‘‘Como a escola é boa, você acaba preferindo pagar por isso’’, explica Thea, que gastou R$ 170,00 com as listas dos dois filhos. Ela acha que os preços caíram em relação ao ano passado. Como não há uma proibição formal da inclusão de materias de consumo nas listas, o Procon avisa que os pais que se sentirem prejudicados têm que negociar com as escolas ou formalizar uma denúncia.
Nas escolas públicas, a situação não é diferente. Com a escassez de recursos, muitas escolas acabam incluindo itens como detergente, sabão, álcool e outros nas listas de material escolar. A assistente social Edite Terezinha da Rocha, que tem dois filhos estudando em colégios públicos, confirma que esses itens tradicionalmente fazem parte das listas. ‘‘Com a crise do Estado, os pais acabam se obrigando a ajudar na manutenção das escolas, e aceitam comprar esses materiais’’, afirma.
Preços - Este ano, a diferença de preços dos materiais escolares nas livrarias de Curitiba chegou a 285%, segundo pesquisa feita pela Sunab em seis livrarias. Entre os 48 itens pesquisados, o compasso foi o campeão da diferença, chegando a custar R$ 5,05 na Livraria Curitiba e R$ 1,31 na Papelaria Santa Cruz. Em seguida vem o esquadro plástico, que é vendido a R$ 0,20 na Livraria Curitiba, e a R$ 0,54 na Livraria Formares, uma diferença de 170%. Para comprar os 48 itens da pesquisa, o consumidor gastaria R$ 50,20 se adquirisse apenas os produtos com menor preço, ou R$ 74,95, caso comprasse pelo preço máximo, gastando quase 50% a mais.

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