Lista aponta que escolas públicas são superiores
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
James Alberti e Paulo Grein 
O ranking da revista Playboy revelou absoluta superioridade das universidades públicas em relação às particulares. A pesquisa mostra que os centros de excelência estão, em geral, em universidades estaduais, como a de São Paulo e de Campinas, por exemplo. Apesar de colocar sob supeita o resultado do estudo, o diretor de relações internacionais da Secretaria de Ensino Superior do MEC, Silvio Batusanschi, disse que não há dúvidas de que as universidades públicas são mais fortes que as privadas.
O desafio do governo federal, que descarta a hipótese de privatização do ensino, segundo Batusanschi, é evitar a fuga de professores para as universidades particulares, que pagam melhores salários, e criar novas vagas nas universidades.
O presidente do Conselho Nacional dos Estudantes (CNE), Éfren de Aguiar Maranhão, disse que o caminho é a diversificação da oferta de ensino superior em todas as universidades brasileiras. A oferta de ensino de 2º grau cresceu 40% na rede federal, enquanto no ensino superior não houve nenhum crescimento, disse Maranhão, durante o Seminário Nacional das Universidades Brasileiras.
O presidente do CNE disse que o governo federal deve atuar como regulador nas universidades, sem comprometer a autonomia das instituições. Para Maranhão, muitas vezes a burocracia prejudica projetos importantes criados pelas instituições. Ele propõe que as universidades tenham autonomia para criar ou excluir currículos, oferecendo uma formação com aspectos regionais, sem perder a identidade nacional e internacional.
Maranhão lembrou que apenas 11% dos jovens entre 18 e 24 anos têm acesso às universidades. Na Venezuela, 28% dos jovens estão nas universidades, e na Bolívia, mais de 20%, disse. Para ampliar o acesso à educação, ele defendeu a diversificação dos modelos de ensino através de duas novas modalidades de ensino superior: os cursos sequenciais, que já existem nas universidades americanas e européias, dirigidos aos estudantes que já atuam no campo de trabalho, e os Centros Universitários, cuja obrigação será exclusivamente com o ensino, ficando as pesquisas científicas em segundo plano.


