Liquidação agita comércio na madrugada
Uma promoção realizada ontem pela loja Magazine Luiza, em Londrina, levou cerca de 400 pessoas a permanecerem por até 20 horas na fila. Algumas pessoas chegaram às 11 horas da manhã de anteontem para aguardar a abertura da loja, às 5 horas. A Magazine Luiza, que vende móveis e eletrodomésticos e tem duas filiais, uma no centro da cidade e outra no Shopping Catuaí (zona sul), prometia descontos de 10% a 70% em todos os produtos.
O auxiliar de marceneiro Marcos Antônio Tavares, 24 anos, chegou anteontem de manhã e foi a quarta pessoa a entrar na loja. Ele e a esposa Fernanda Pires Furtuoso, de 20 anos, compraram uma geladeira por R$ 459,00. A geladeira foi colocada por Tavares no calçadão, em frente da loja. Estamos negociando o frete, disse. Ele esperava gastar de R$ 15,00 a R$ 20,00 com o transporte até sua residência, próxima ao Jardim Lindóia (zona leste).
Dentro da loja fechada, nem o forte calor desanimou os consumidores, que disputavam os produtos. Veridiana Lúcia Salustiana gastou R$ 2.097,00 e comprou máquina de lavar roupa, fogão, geladeira e forno de microondas. Ela pagou a compra à vista. Acho que foi um bom negócio, afirmou. O auxiliar de serviços gerais Anderson Pinheiro da Rocha, 21, residente no conjunto Milton Gavetti (zona norte), pretende se casar e adquiriu uma geladeira por R$ 789,00. Rocha estava acompanhado da mãe. Os dois se revezavam para cuidar da geladeira. Se não ficar por perto outro leva, contou.
Nem todos os consumidores ficaram satisfeitos com a promoção. A promotora de vendas Marlene de Abreu, 41 anos, indignou-se com o desconto dado em um forno de microondas: O preço é R$ 279,00, mas eles estão tirando só R$ 40,00. É muito pouco para quem dormiu na fila.
Do lado de fora da loja, a dona de casa Maria Carla de Souza Almeida, 58 anos, olhava a fila sem muita disposição para entrar. Vi muita gente saindo sem levar nada, comentou.
Próximo à loja concentravam-se várias caminhonetes e até mesmo um carroceiro oferecendo frete. Alguns taxistas também estavam de prontidão nas imediações, esperando por clientes.
Depois de ter vindo do Jardim Tocantins para comprar uma beliche e esperado 20 horas sem dormir, Ademilde Fontes de Quadros, 23 anos, foi embora de mãos vazias. A única coisa boa foi o café que serviram, afirmou.
Segundo Richard Piveta, gerente da loja do centro da cidade, as vendas deste ano superaram em 10% às do ano passado. Comercializamos algo em torno de R$ 11 milhões em toda a rede (107 lojas), o que corresponde a cinco dias de vendas, afirmou. Piveta disse que as poucas mercadorias que sobraram, como ferros elétricos e liquidificadores, retornam ao preço normal na segunda-feira.





