Linhas de ônibus são suspensas após assassinato de cobrador
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quarta-feira, 14 de agosto de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Motoristas e cobradores das linhas Jardim da Ordem, Santa Rita/Pinheirinho, Santa Rita/CIC e Ludovica deixaram de circular depois das 16 horas de ontem, em protesto pela morte do cobrador Samir Fresson Forlin, 21 anos, durante assalto ocorrido na noite da última terça-feira. Em apoio à paralisação, moradores do bairro Tatuquara, região sul de Curitiba, fizeram uma passeata de manifesto até o local onde o rapaz foi assassinado. Forlin não teria reagido, mas mesmo assim levou um tiro na cabeça. O assaltante fugiu levando R$ 26,00.
A suspensão temporária dos ônibus foi acordada numa reunião entre o Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) e a Urbanização de Curitiba (Urbs), na manhã de ontem. ''Os motoristas queriam parar tudo'', disse o diretor de Transportes da Urbs, Euclides Rovani, ao justificar o acordo com a categoria.
Os moradores que dependem das quatro linhas suspensas tiveram que utilizar outros ônibus e andar por distâncias de dois quilômetros ou mais para poder voltar para casa ontem. Cerca de 19 mil pessoas utilizam as linhas.
O presidente do Sindimoc, Denilson Pires da Silva, admitiu que o protesto não vai resolver o problema dos assaltos a ônibus, mas acredita que é uma forma de sensibilizar a opinião pública e as autoridades.
Rovani informou que a polícia já tem um suspeito de ter matado o cobrador e tinha esperança de que o marginal fosse preso ainda ontem. O retorno da circulação normal dos ônibus a partir de hoje, segundo ele, dependeria da prisão do assaltante. Caso contrário, os coletivos das quatro linhas só circulariam entre as 5 horas da manhã às 20 horas, hoje e amanhã. Até o fechamento dessa edição, a Polícia ainda não havia prendido ninguém.
O problema dos assaltos a ônibus e estações-tubo vem sendo discutido pelo Sindimoc desde o ano passado. A entidade chegou a promover um seminário para apresentar propostas na tentativa de reduzir a violência contra motoristas, cobradores e passageiros. Até agora, no entanto, nenhuma medida teve efeito prático. De janeiro a julho deste ano, a Urbs registrou 3.006 assaltos, sendo 2.069 e 937 em estações-tubo, o que representa uma média de 14 assaltos por dia.
''Enquanto tiver o maldito dinheiro em circulação vai haver assaltos'', criticou Denilson da Silva. Ele defende a implantação das catracas eletrônicas nos ônibus e a proibição da venda de vales-transporte em locais não credenciados pela Urbs.
Rovani, no entanto, afirma que essa não é a solução mais eficaz para inibir os assaltos. Mesmo com as catracas eletrônicas, que funcionam com cartão magnético, haverá passageiros que pagarão com dinheiro. ''Os assaltantes roubam, em média, R$ 18,00 a R$ 20,00. Esse dinheiro vai continuar circulando'', argumentou. Para o diretor, o que deveria haver é um maior rigor na punição aos marginais.


