Linha férrea está cheia de problemas
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sexta-feira, 25 de maio de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
Passagens de nível desnecessárias, falta de visibilidade do maquinista em cruzamentos, sinalização insuficiente, ausência de dormentes e trilhos desgastados. São algumas constatações da Comissão Especial da Câmara Municipal criada para analisar problemas causados pelo tráfego de trens em Curitiba. A vistoria foi feita ontem de manhã em 15 quilômetros da malha ferroviária que corta a cidade, utilizando vagões da América Latina Logística (ALL), empresa que administra as ferrovias no Paraná.
O trecho percorrido foi entre a Rodoferroviária e Rio Branco do Sul, considerado uma dos mais críticos em função da quantidade e localização de cruzamentos da ferrovia com rodovia. São 18 passagens de nível na área urbana, incluindo a da Rua Professor Brandão, no Alto da XV de Novembro, área central, que será aberta pela prefeitura até o fim do mês. No ano passado, segundo a ALL, aconteceram neste setor quatro atropelamentos e quatro batidas de trens com carros.
Cerca de 70 quilômetros de trilhos estão na área urbana de Curitiba, com 41 passagens de nível. O gerente de engenharia da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), Paulo Malucelli, acompanhou a vistoria e informou que 31 possuem sinalização, ou seja, luzes piscando do lado da rodovia, ao mesmo tempo em que o trem aciona o apito avisando a travessia. As outras 10 só têm placas e sinalização horizontal.
A comissão da Câmara estuda duas alternativas para acabar - ou minimizar - os problemas ocorridos ao longo das ferrovias. A primeira é a instalação de cancelas automáticas nas passagens de nível. Lei federal prevê que a responsabilidade sobre a colocação desses equipamentos recai sobre o último órgão a se instalar no local. É preciso saber quem chegou antes em cada local, se a cidade ou a ferrovia, diz a gerente de Relações Corporativas da ALL, Silvana Alcântara de Oliveira. A empresa alega que cinco passagens são de sua responsabilidade e 13 do município. Já o gerente da Urbs afirma que cabe à ALL a instalação de sete cancelas. Cada equipamento, incluindo aparelho elétrico e dois braços mecânicos, custa em torno de R$ 75 mil.
O ideal seria conseguirmos a construção de um desvio da área urbana, diz o vereador André Passos (PT), presidente da comissão da Câmara. A obra orçada em R$ 60 milhões é de competência do Ministério dos Transportes, de acordo com o diretor da ALL, Pedro Roberto Oliveira Almeida, por ser uma concessão do governo federal. A ALL e a prefeitura estão testando as cancelas automáticas nas passagens das ruas Afonso Camargo, Itupava e Professor Brandão.


