Linha férrea dividiu atenções e moradores
Alexandre Sanches
Londrina foi dividida durante anos pela linha férrea, que ocupava o traçado que hoje acolhe a Avenida Leste-Oeste. A própria população se dividia: uma parte usava como referência o fato de morar acima da linha férrea, e outra se constrangia ao ter que admitir que tinha residência abaixo da linha férrea.
Os que moravam acima da linha eram considerados mais abastados, não somente financeiramente, mas também culturalmente, ligação que era feita de acordo com os melhores padrões dos bairros de cima, incluindo as casas. Os de baixo eram moradores de bairros mais simples, casas mais humildes. O desenvolvimento da cidade também seguia essa divisão: a parte de cima evoluia com mais rapidez, enquanto a parte de baixo aguardava ansiosa por melhorias.
Com a saída da linha férrea verificou-se um avanço no progresso dos bairros de baixo. Porém, na área de lazer, a cidade continua sendo dividida por esta linha imaginária que muitas pessoas não percebem.
A Leste-Oeste não é divisão da forma como foi a linha férrea. Mas acima dela temos hoje o Zerão, uma grande área de lazer e recreação que atende a todos os moradores da cidade. É lá que diariamente as pessoas fazem as suas caminhadas, praticam exercícios ou procuram paqueras. É um lugar que merece toda atenção do poder público, justamente por causa da boa frequência.
A ligação com a pista do Lago Igapó, levando os praticantes de caminhada para dentro do cartão-postal da cidade, torna o passeio e o exrcício físico agradável. O anfiteatro do Zerão, um palco enorme com apresentações artísticas sempre que possível, costuma ser atração para qualquer tipo de público, rico ou pobre, apreciador de uma boa música ou ouvinte de rádio de pilha.
Ainda na parte de cima o londrinense, principalmente aquele que mora na área central, em prédios de apartamentos, tem o Zerinho, que divide o Bosque. Também muito frequentado, o Zerinho é foco de atenções.
Mas estas não são as únicas áreas de lazer de Londrina. Há inúmeras outras espalhadas pela periferia da cidade, inclusive na parte de baixo. Um deles, o Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, tem praticamente o mesmo tamanho do Zerão, possui uma infra-estrutura boa com posto de saúde, creche e posto da Policial Militar. Mas é uma área que, pelo que se observa, anda meio esquecida.
Com campos de futebol são bastante utilizados principalmente nos finais de semana. O local também é usado diariamente, nos períodos da manhã e no final da tarde, para caminhadas. Porém, sem uma pista ideal como tem o Zerão, exclusiva para os pedestres, o CSU da Vila Portuguesa obriga os caminhantes a andarem no asfalto das ruas que circundam a área.
O mato é outro diferencial do CSU, em comparação com o Zerão: o corte é feito de vez em quando, permanecendo muitas vezes alto. Os cabritos de alguns moradores próximos pastam no local, pois o capim, eventualmente adubado por uma boa chuva, parece ser bom.
Por causa do mato, aliás, as árvores frondosas não podem ser aproveitadas para se fazer um piquenique. E a depredação das instalações do CSU, como a cerca colocada em volta? A culpa, nesse caso, já não é das autoridades, mas de alguns vândalos que preferem ver um local público destruído. Ou seria a falta de guardas ou problema das autoridades?
O CSU cumpre, ainda assim, o seu papel de área de lazer. Também reúne nos finais de tarde e nos sábados e domingos gente de vários níveis sociais, embora localizado num bairro que, anos atrás, escancarava um estigma: Não vou no Centro Social Urbano porque ali ficava o Buracão, diziam até mesmo vizinhos da área. A marca negativa, se ainda não foi esquecida, pelo menos deixou de ser marcante. Melhor ainda se o CSU passasse a merecer, por parte de seus frequentadores e das autoridades, a atenção de um ótimo local de lazer, que não fica nem abaixo e nem acima da linha férrea.





