Linha de chegada parece um campo de batalhas
A falta de patrocínio faz com que Odair Soares tenha que escolher cuidadosamente as provas que disputa. ''Quando não é na região só participo de corridas que tem premiação em dinheiro, para pelo menos custear a viagem'', confessa o maratonista.
Segundo Soares, durante preparação de uma maratona é preciso correr de 1.000 a 1.500 km. Mesmo com toda a preparação, o experiente corredor brinca que a linha de chegada dos 42 km mais parece um campo de feridos de guerra.
''Você vê um monte de gente estendida no chão, recebendo massagem e alguns até contundidos. E tem também aqueles homens barbados que, como se fossem crianças, choram de alegria'', descreve.
Para o corredor, concluir uma maratona é experiência única. Das mais de 47 que acumula no currículo, a que mais o marcou aconteceu em 2000, em São Paulo. ''Estava em segundo lugar, faltando menos de 1 km para o fim da prova. Quem liderava era Décio Oliveira, uma lenda do atletismo, que já foi campeão sul-americano.''
Soares recorda que ouviu gritos dos espectadores, repetindo: ''Décio, Décio, Décio...''. ''Quando escutei isso percebi que estava próximo do líder e aumentei o ritmo'', conta.
Cerca de 60 metros do fim, o cambeense passou o líder e venceu a maratona. Seu nome não apareceu nas manchetes do dia seguinte, ele também não ganhou uma bolada de dinheiro, mas, assim como os Tarumahara, Soares simplesmente correu, calçado, mas correu. (B.D.)





