Linguagem virtual O 'internetês' como aliado da aprendizagem
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terça-feira, 24 de outubro de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em vez de combater o uso do ''internetês'' entre os alunos, uma escola de Curitiba decidiu usar a linguagem da web como aliada no aprendizado da escrita convencional. Os textos escritos em meio virtual são levados para sala de aula, onde são analisados e adequados para a língua culta. Os alunos também são orientados a escolher a linguagem adequada para cada situação.
Para o diretor do Grupo Martinus, o psicólogo Marcos Meier, muitos textos escritos no MSN ou em outras mensagens eletrônicas acabam revelando muita criatividade e riqueza de conteúdo. ''Por isso, é importante adequar o que existe de bom neles às regras do português convencional. Dessa forma, estimulamos os alunos a desenvolverem o seu próprio estilo'', explicou.
Meier lembrou que antes da era internet os educadores tinham uma preocupação maior com a forma dos textos (ortografia, gramática etc.) do que, propriamente, com o conteúdo. ''Como consequência disso, as pessoas saíam da universidade com dificuldade de colocar as próprias idéias no papel. Os estudantes sabiam escrever certo, mas não sabiam ser criativos'', observou.
O internetês, que se resume no uso de abreviações ou de palavras reescritas sem a menor preocupação com a ortografia (veja box), vem sendo exaustivamente criticado por defensores da língua culta, que chegaram a classificá-lo como ''analfabetismo virtual''. Mas, ao contrário do que a maioria dos educadores argumenta, Meier acredita que a internet veio, justamente, para quebrar a questão da forma, criou um novo ''gênero literário'' e tem servido para incentivar o aluno a desenvolver suas próprias idéias.
O trabalho com os textos da internet é feito com os alunos das séries iniciais. Aqueles que já estão no ensino médio, preparando-se para as redações exigidas nos vestibulares, sabem que esse tipo de linguagem só pode acontecer no contexto da internet, destacou Meier. Segundo ele, o que se percebe entre os adolescentes que se comunicam pela internet é a maior facilidade e fluência na escrita.
A coordenadora acadêmica do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ascensión Jimenez, assegurou que no último vestibular não foi observada qualquer influência da linguagem da internet nas redações. Nem no que diz respeito à ortografia das palavras, nem na criatividade. Para ela, o fato de os jovens se comunicarem mais pela web não revelou, na prática, uma melhoria no nível das redações.


