Hoje é o Dia Internacional de Conscientização sobre Linfomas. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a cada ano dez mil pessoas são diagnosticadas com linfoma. Mas o que exatamente é um linfoma?
De modo geral este é um tipo de câncer que atinge as células do sistema linfático. De acordo com o médico hematologista Roberto Franzin Coelho, de Londrina, o sistema linfático interliga as diversas áreas do corpo e conta com gânglios nas axilas, tórax, pescoço, virilha e abdômem. ''Estes pontos são interligados por canalículos mais finos que uma linha. O sistema linfático tem a função principal de propiciar a defesa do organismo'', explicou.
Há dois tipos de linfoma: Hodgkin e os não Hodgkin. Segundo o médico, o primeiro é conhecido, tem uma forma bem estabelecida de tratamento e grandes chances de cura. Ele acrescentou que o segundo tipo abrange um grupo grande de doenças que apresentam algumas semelhanças mas várias diferenças entre si. ''Podemos considerar que nos últimos dez anos houve muita evolução no conhecimento, tratamento e prognóstico dos linfomas. Esta é uma doença que pode ser desde um tipo incurável ou ter uma chance de cura que vai a 95%. Tudo depende do tipo da célula'', explicou.
De acordo com Coelho, entre os tipos sem chance de cura alguns têm tratamento que permitem controlar a doença.''Tem quem tenha linfoma há 20 anos e vive bem. Já outros tipos não apresentam melhora com o tratamento. E há aqueles que, por mais modernos que sejam, os remédios não apresentam uma evolução satisfatória e podem levar o paciente ao óbito em meses'', citou.
Quando detectado em estágio precoce, o linfoma pode ser erradicado com tratamento adequado. Ele disse que o principal eixo de tratamento é a quimioterapia e a radioterapia é vista como uma segunda opção. ''Existem medicamentos de quimioterapia modernos chamados anticorpos monoclonais que têm ação em alguns marcadores do tumor e proporcionam uma expectativa de cura maior. Várias drogas estão sendo desenvolvidas e vão acrescentar aspectos de melhora no tratamento'', destacou.
Informação
O hematologista informou que os sintomas do linfoma são muito variados. ''Cerca de 60% dos pacientes têm como manifestação clínica o aumento de gânglios linfáticos. Outros sintomas que chamam atenção são febre, transpiração noturna excessiva, emagrecimento importante que corresponde a perda de mais de 10% do peso em tempo igual ou inferior a três meses'', elencou.
Para o médico, a informação sobre a doença é fundamental. ''Tenho um paciente que desconfiou que estava com linfoma após acompanhar notícias sobre a doença que a presidente Dilma estava enfrentando'', destacou, informando que a doença foi confirmada após exames. Ele afirmou que ultimamente os casos têm se tornado mais comuns. ''Não é uma constatação marcante mas tenho a impressão que está aumentando a incidência não só do linfoma mas das neoplasias de modo geral'', disse. Para ele, o aumento da expectativa de vida e a exposição a agentes químicos podem facilitar o aparecimento destas doenças.

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