Quatro anos depois do vazamento de óleo que atingiu o Ribeirão Lindóia, nas proximidades do Pool de Combustíveis (Zona Oeste), várias medidas compensatórias ao dano causado ainda estão em curso. Mas segundo a promotora de Proteção ao Meio Ambiente, Solange Vicentin, os prejuízos imediatos do acidente ambiental ocorrido em maio de 2002 foram reparados, e as providências determinadas pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado na época vêm sendo cumpridas pelo Pool.
''Estamos aguardando o término dos prazos para pedirmos uma vistoria em tudo o que foi feito até agora'', informa Solange, que assumiu a promotoria em 2004. Ela lembra que entre as propostas feitas no TAC e que foram acatadas estão a implantação do sistema de tubulações aéreas (eram todos subterrâneas); recuperação da vegetação das áreas diretamente impactadas; e doação de equipamentos e um veículo ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consema) e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Também foi feita a implantação de um centro de educação ambiental, que funciona na sede do Consema; a reestruturação do viveiro de mudas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pagamento de multa de R$ 1,3 milhão, dinheiro investido na construção do Jardim Botânico.
Entre as medidas a longo prazo está a recuperação florestal da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Jacutinga, que compreende os ribeirões Jacutinga, Lindóia, Quati e Água das Pedras. ''Todos os afluentes apresentam problemas, vários ligados à falta de educação ambiental da população. Na época do vazamento os danos foram remediados, o que estamos fazendo agora é trabalhar na recuperação de todo o manancial'', reforça a promotora.
Para alguns moradores das margens do Ribeirão Lindóia, porém, o rio nunca mais foi o mesmo. A dona-de-casa Lúcia Aparecida Guimarães da Silva mora há 17 anos no local e diz que a água nunca está limpa.''Antigamente, a gente usava a água para molhar a horta, lavar roupa; hoje em dia não dá para fazer mais nada disso'', observa.
A moradora afirma ainda que sob a vegetação à beira do rio é possível perceber uma sujeira escura, e que o período mais crítico do dia é entre 16h30 e 18 horas, quando a água ganha uma tonalidade ainda mais turva. De acordo com Lúcia, na época do vazamento foi dito que uma máquina especial seria utilizada para limpar o manancial, o que não chegou a ser feito. ''A gente tem impressão que o rio está sumindo, antes tinha uma represa grande aqui na frente.''
A filha da dona-de-casa, Claudinéia Pedroso da Silva, confirma a falta de educação. ''Jogam de tudo dentro do rio. Vem gente de longe para jogar lixo lá. Tem até um dono de supermercado que descarrega gordura e restos de osso da carne que vende no açougue. Uma nojeira''.

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