Lindoeste cria tabela para funerais
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Sucursal de Cascavel 
LINDOESTE - As denúncias de irregularidades no pagamento de funerais pela administração anterior para a única funerária de Lindoeste (40 quilômetros ao sul de Cascavel) levaram o prefeito Almir Gaspar (PDT) a fixar valores para a contribuição do município no pagamento de caixões e sepultamento de pessoas carentes. O valor, que chegava a R$ 320,00 por funeral, antes da medida, agora será limitado a R$ 110,00. No caso de crianças, o teto é de R$ 85,00.
As denúncias estão sendo investigadas por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores, e envolvem casos de pessoas vivas relacionadas como sepultadas, pagamento de caixões pela prefeitura em número duas vezes superior ao de pessoas comprovadamente mortas e sepultamentos feitos clandestinamente. As investigações envolvem a funerária Nossa Senhora Aparecida, oficialmente de propriedade de Gonçalves José da Fonseca, mas comandada por Sebastião Carlos Moreira de Souza.
Gonçalves é tio de Cila Pereira, mulher de Sebastião e irmã do ex-prefeito Geraldo Lacerda. Cila foi secretária de Finanças de Lacerda. Segundo o presidente da CEI, vereador Ardemiro Girelli (PPB), entre 1994 e 96 a prefeitura pagou por 143 funerais realizados no cemitério da cidade e em outros quatro da zona rural.
A secretaria de Saúde informou que oficialmente foram registrados apenas 78 óbitos no município. Entre as notas pagas há muitas com a letra da ex-secretária de Finanças.
Sebastião de Souza e o ex-prefeito Geraldo Lacerda afirmam não haver irregularidades nos pagamentos e, quanto ao excesso de funerais, em relação aos óbitos oficialmente registrados, dizem que no município geralmente não se faz atestado de óbito. Todos os supostamente envolvidos nas irregularidades ainda serão ouvidos pela CEI. Enquanto isso, a funerária terá que se contentar com valores da tabela ficada pelo prefeito Almir Gaspar.


