Polegar, indicador e dedo mínimo para cima. Anelar e dedo médio encostados na palma da mão. O que significa? Uma das frases mais repetidas no mundo. Na Linguagem Brasileira de Sinais, (Libras), o sinal detalhado acima significa ‘eu te amo’, uma das primeiras frases que Gabriela Lopes Martins aprendeu a falar através de sinais para sua mãe, Maria Cristina Lopes, surda de nascença.
  Há quem acredite que as mais lindas frases de amor são pronunciadas no silêncio de um olhar. Assim é a relação de Gabriela com sua mãe, feita de gestos, sinais e olhares. ‘‘Nós trocamos olhares constantemente. Quando eu era criança achava mais difícil. Quando precisava dela, no banheiro, ou quando me machucava, gritava e não adiantava. Sofria com isso, mas hoje estou totalmente adaptada’’, conta Gabriela, de 17 anos.
  A jovem aprendeu a língua de sinais com a mãe e o pai, ambos surdos. Hoje, com a tecnologia moderna, muito da comunicação é feita pelo celular. ‘‘Trocamos mensagens no celular sempre. Já quando estamos próximas falamos por gestos ou ela lê meus lábios, algo que é incrível porque entende sempre o que quero dizer’’.
  O dia a dia de Gabriela e Maria Cristina é como o de qualquer mãe e filha adolescente. ‘‘A vida é normal. Rimos juntas. Brigamos e festamos. Choramos e nos abraçamos. Nas brigas exageramos na dramaticidade dos gestos. Nas reconciliações, um olhar e um abraço resolvem tudo’’.
  Uma situação que ainda constrange Gabriela é a curiosidade das pessoas. No shopping e até na igreja, é difícil quem não demonstre interesse pela conversa através da língua dos sinais. A jovem às vezes se irrita, mas procura entender as pessoas.
  Maria Cristina trabalha como auxiliar administrativo. Vive com Gabriela e sua outra filha, Jéssica, também adolescente. À noite, ela é instrutora de libras, em universidades. Sua rotina é corrida. Mora sozinha com as filhas. Separou-se do marido há seis anos, e voltou de Belo Horizonte (MG), para Londrina, onde moram seus pais.
  ‘‘Minha mãe é uma guerreira. Uma mulher forte. Tento me espelhar nela. As pessoas pensam que os surdos podem menos do que podem. Acham o surdo inferior. Não é assim. Não vejo limites em minha mãe. Mesmo surda, ela sabe o que se passa comigo mais que eu mesma. Ela escuta meu coração melhor que eu’’, afirma Gabriela. (B.M.)

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