Um aneurisma causou a morte do neurologista Lincoln Brazil e Silva, sábado passado, um dia após ter completado 78 anos, dos quais 75 vividos em Londrina. Familiares e amigos levaram o corpo à sepultura domingo, às 17 horas, sem esquecer uma bandeira do Sport Club Corinthians Paulista, uma das influências culturais absorvidas por Lincoln, que, formado em 1960, não foi um médico pioneiro, mas influenciado pelo que viu nos primórdios da cidade.
Nascido em Paraguaçu Paulista, ele tinha três anos de idade quando veio para Londrina, em outubro de 1937, com os pais, Evangelina e José Bonifácio e Silva, e a irmã, Gladys.
Na cidade, que surgira há apenas sete anos, os pais tiveram de se envolver imediatamente no mutirão para socorrer as vítimas da febre amarela silvestre e do tifo. O atendimento hospitalar era restrito, poucos podiam pagar e a comunidade se empenhou na manutenção do ''hospital de indigentes'', improvisado na Rua Benjamin Constant (então ''Rua do Comercio''), em frente ao escritório de José Bonifácio e Silva, comprador de cereais.
Essa circunstância e o acompanhamento da formação da cidade, em que o pai se tornou um dos principais agentes da construção da Santa Casa e o primeiro provedor, influenciaram Lincoln na escolha da profissão.
''Eu ouvia sempre o meu pai falar em doença, em Medicina, no sofrimento das pessoas ficando doentes e sem recurso. A pessoa com febre saía de trem para São Paulo, tinha que descer lá em Ourinhos, trocar de trem, era uma vida assim, de dificuldade sem tamanho'', relatou à Rádio CBN, em 2011. ''Eu me lembro que comecei a me interessar por curar as pessoas. Eu acho que foi por isso que eu fui ser médico, não tenho certeza não.''
Formado pela Escola Paulista de Medicina, Lincoln atuou por mais tempo no Hospital Evangélico, mas era uma das memórias privilegiadas da Santa Casa, instituição que fora sua ''irmã menor'' na infância, assunto obrigatório em família e cuja construção ele ''inspecionava'' em companhia do pai.
Dona Nina, como era mais conhecida Evangelina, e outras senhoras imaginaram uma ala específica para crianças na Santa Casa. ''Aí, José Bonifácio pegou só aquele pedacinho que é a parte da frente da Santa Casa e decidiu fazer a primeira enfermaria para crianças do Norte do Paraná'', rememorava Lincoln entre os muitos detalhes. A FOLHA publicava artigos de Lincoln Brazil e Silva a respeito de diferentes temas da cidade.

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