Emerson Cervi
De Curitiba
A ex-funcionária da Limptec, empresa que era contratada pela Secretaria de Estado da Saúde e que faliu, Roseane Maria Pechebovicz, 22 anos, vai acionar seus antigos contratantes e a secretaria na Justiça. Ela foi demitida em meados de janeiro, apesar de estar grávida de quatro meses.
Segundo o Sindicato dos Funcionários de Empresas de Asseio e Limpeza, outras 11 grávidas que trabalhavam na Limptec também foram demitidas. ‘‘Eles me colocaram na rua sem pagar nenhum direito, nem mesmo o salário de dezembro’’, reclamou. Roseana trabalhou no Laboratório Central do Estado (Lacen) por dois anos e nove meses. A soma das férias atrasadas, salários e os nove meses de licença por gravidez é de R$ 766,66.
A ex-funcionária diz que havia outras irregularidades no contrato de trabalho da Limptec. ‘‘Eu fui contratada como servente de limpeza, com salário de R$ 220,00, mas no começo trabalhei como telefonista e nos últimos meses estava no setor de informática’’, afirmou. O desvio de função é outra ilegalidade que a ex-funcionária pretende cobrar da empresa.
Além das 12 grávidas, o sindicato pretende representar outros 116 empregados da Limptec demitidos sem justa causa. A empresa entrou em falência no final de dezembro. Por isso, a Secretaria da Saúde contratou temporariamente outras três empresas para fazer o trabalho de limpeza. Mas foram reduzidos de 507 postos de trabalho em limpeza para 380 das novas contratadas. A diferença é o número de pessoas demitidas.
O diretor administrativo da Secretaria da Saúde, Alderi Silveira Júnior, disse ontem desconhecer a demissão de funcionárias grávidas. ‘‘Não acredito que isso aconteceu, mas eu também estou tentando falar com a Limptec e não consigo’’, disse. ‘‘O sindicato acompanhou as negociações e o acordo que fizemos com as novas empresas para dar prioridade à contratação de funcionários da empresa falida.’’
Segundo Alderi Silveira, a redução nos postos de trabalho causou algumas demissões, mas a responsabilidade é das novas contratantes. ‘‘Pelo que sei, a Limptec deu garantias ao sindicato como pagamento do passivo trabalhista, inclusive uma fatura de R$ 170 mil que a secretaria repassou na sexta-feira passada para o pagamento dos funcionários’’, concluiu.Ex-funcionárias pretendem acionar a empresa e a Secretaria de Estado da Saúde na Justiça para cobrar direitos trabalhistas
Mauro FrassonOUTRAS IRREGULARIDADESRoseane Pechebovicz, 22 anos, foi contratada como servente de limpeza, mas chegou a trabalhar de telefonista