Londrina

Paulo WolfgangPrecauçãoObjetivo das obras é aumentar vazão e velocidade das águas...A Prefeitura de Londrina está realizando obras de limpeza e retificação de curso no ribeirão Cambé, na altura da avenida Maringá, para aumentar a vazão e a velocidade das águas. O objetivo, segundo o secretário de Obras José Righi de Oliveira, é evitar que novos alagamentos ocorram na altura do lago Igapó 2, onde o ribeirão deságua, sobretudo na avenida Joaquim de Matos Barreto. Em dias de chuva forte, a água sobe e invade não só o asfalto como também imóveis comerciais e residências da região.
Segundo Righi, a sujeira e curso tortuoso do Cambé acabam diminuindo a velocidade de vazão da água, provocando o aumento do nível do Igapó 2 e consequente alagamento. Nos meses de novembro, dezembro e janeiro, quando a incidência de chuvas é maior, esse problema é agravado. E a previsão para este ano, com a presença do fenômeno chamado El Ni¤o, é que chova ainda mais.
A limpeza do ribeirão está sendo feita há cerca de 15 dias com a ajuda de uma retroescavadeira, que passa pelo fundo do ribeirão tirando a sujeira - lixo urbano, como pneus velhos e garrafas plásticas, e também pedaços de plantas e galhos de árvore. As bordas estão recebendo um tratamento especial e a ‘‘caixa’’ (largura) do rio será aumentada. ‘‘Esse é um trabalho preventivo, que já estava programado há algum tempo’’, acrescenta Righi, observando ainda que também será retirada a terra entre os bueiros celulares nas obras de transposição da Maringá sobre o Igapó, para que a vazão das águas seja ainda maior.

Arquivo FolhaHá um ano... para evitar alagamento de ruas como a Joaquim Barreto, em 96O problema de alagamento tem atrapalhado a vida dos moradores da região, principalmente os da avenida Joaquim Barreto. Morando há apenas seis meses no local, o estudante Adelmo Nakayama conta que nesse período já viu a água do Igapó 2 invadir todo o asfalto da avenida e alcançar o portão de sua casa. ‘‘Se essa obra resolver o problema vai ser excelente’’, comenta.
Apuro maior passou a moradora Vilma Maria Duarte, que também reside na Joaquim Barreto. Ela conta que um dia estava dormindo tranquilamente na sua casa quando acordou com os gritos de um amigo, perguntando se estava tudo bem. ‘‘Quando me levantei da cama não achei o chão’’, lembra. A água, com a chuva, tinha invadido toda a casa, inclusive o quarto de Vilma. ‘‘Peguei um trauma enorme de chuva depois disso. Toda vez que dá temporal entro em pânico.’’
Para evitar novos transtornos, a moradora resolveu fazer uma reforma geral na residência, para reforçar a estrutura, e subiu o muro. ‘‘Não sei se acontece isso por causa das obras (de transposição da Maringá) ou por falta de esgoto. Só que não adianta eu me mudar daqui, se não for para um lugar melhor ’’, comenta. ‘‘Ao invés de um carro o pessoal do bairro tinha mesmo é que ter um barco para ir trabalhar.’’
Sobre o trabalho que está sendo feito no ribeirão Cambé, Vilma conta que já foi lá tentar saber o que era e chegou a ligar na Prefeitura, mas ninguém explicou direito. ‘‘Desde sábado que eu vou lá, pergunto, e ninguém fala nada. A gente tem medo de que piore a situação.’’

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