Limpeza na casa e na alma
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sábado, 21 de novembro de 2009
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
A roupa que não serve mais. O calçado recém-adquirido encostado na sapateira porque machuca os pés. Computadores e eletrodomésticos que ocupam espaço no depósito ao serem substituídos por novos. A sobra de medicamento esquecida no fundo do armário. Quanta coisa sem serventia acumulamos em nossas casas e locais de trabalho, tomando espaço, dificultando a organização. Embora muitas pessoas tenham dificuldade de se desfazer daquilo que não lhes serve mais, há quem veja no descarte mais do que a possibilidade de liberação do espaço físico, mas um exercício de solidariedade. ''Descartar significa desfazermos de tudo aquilo que não nos serve mais, para servir ao próximo'', define o gerente da Cáritas Arquidiocesana de Londrina, Rodrigo Eduardo Zambon.
A empresária Cristiane Guedes sempre teve o hábito do descarte. Ela já se desfez de roupas, geladeira, sofá, cadeiras, mesa, dando ao próximo a possibilidade de usufruir daquilo que não lhe servia mais. ''Assim que percebo que não estou mais utilizando, descarto. O que está sobrando para mim, certamente faz falta para alguém'', justifica.
A iniciativa da empresária foi levada ao prédio onde residia e fez grande sucesso. ''Os moradores tinham vontade de descartar, mas não sabiam aonde levar os objetos'', conta. Membro do Grupo de Reflexão da Paróquia São Vicente de Paula, Cristiane e outros participantes sugeriram um dia do descarte na igreja. No ano passado, os descartes lotaram oito caminhões. Em 2009, o ''Dia do Descarte'', realizado este mês, envolveu mais paróquias.
O bancário Nilson José dos Santos, que já descartou roupas, sapatos e eletrônicos, esclarece que mesmo que o objeto necessite de algum reparo pode ser descartado. ''Algumas coisas vão para o conserto, outras para a reciclagem. Nós sabemos que para alguém será útil. Descarte não é lixo'', explica.
A empresária Yone Mazocatto Rezende descartou recentemente uma cama de casal, um fogão de seis bocas e dois televisores. ''Minha sogra mudou-se para um apartamento menor e não havia espaço para alguns utensílios. Não penso duas vezes em descartar quando sei que a minha sobra pode ser a necessidade do outro. Eleva o meu espírito esse tipo de ação'', revela a empresária.
Além de objetos, o descarte também pode incluir o intangível, como o estresse, sentimentos ruins, preconceitos, ressentimentos. ''É um exercício espiritual. Descartando o que nos incomoda, deixamos de ''remoer'' problemas do passado, tiramos um peso e nos abrimos para o novo'', reflete o advogado Carlos Scalassara.
Serviço - A Cáritas Arquidiocesana de Londrina recebe o material que as pessoas desejem descartar. Rua Dom Bosco, 145, Jardim Dom Bosco, fone (43) 3338-7252.


