Nove pessoas foram intoxicadas ontem, depois que funcionários que faziam a limpeza do prédio em que elas estavam, no centro de Curitiba, misturaram dois produtos de limpeza. A mistura dos produtos causou reação química e, segundo testemunhas, liberou gás com forte cheiro. Com sintomas de dispnéia (falta de ar) e ardência na garganta, as pessoas que tiveram contato com o produto foram encaminhadas para o Hospital Cajuru.
O acidente aconteceu por volta das 10 horas, quando três funcionários da Lemonnier Serviço de Pintura na Construção limpavam a fachada do prédio. A empresa prestava serviços para a EngeCivil, contratada pelo condomínio para fazer a limpeza interna e externa do prédio. Eles misturaram no mesmo recipiente os produtos Sandrars, utilizado na limpeza de pastilhas, e resina de eucoclil, um impermeabilizante. Como eles não lavaram corretamente o recipiente, na hora de dissolver o produto de limpeza para pastilhas, ainda havia resíduos do impermeabilizante, conforme informou o auxiliar administrativo da Engecivil, Valdir Martins de Oliveira.
Localizado na Travessa Itararé, 181, esquina com a Rua Mariano Torres, o prédio abriga cinco empresas comerciais e pelo menos cem pessoas estavam no local no momento do acidente. O edifício de seis andares foi esvaziado pelo Corpo de Bombeiros e só foi liberado depois de vistoria feita pelo Instituto de Criminalística, Vigilância Sanitária e Secretaria Municipal do Meio Ambiente, às 15 horas.
A bioquímica do Instituto de Criminalística, Solange Lorena Cortes, disse que foram recolhidas amostras dos produtos utilizados, mas o laudo técnico que vai apontar as causas da intoxicação só deverá ficar pronto na próxima semana. Ela comenta que casos como esse não são comuns quando uma empresa especializada faz o serviço. ‘‘Atendemos mais casos domésticos’’, ressaltou.
A Vigilância Sanitária vai abrir sindicância para apurar as responsabilidades do acidente. As empresas envolvidas serão investigadas e, caso haja necessidade, autuadas.
Seis, das noves pessoas intoxicadas, trabalham na Liga de Combate ao Câncer (LCC) que funciona no prédio. Segundo o coordenador da LCC, João César Chiquetto, os funcionários ficaram em observação no Hospital Cajuru e foram liberados no final da tarde.

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