Limpeza do bosque preocupa especialistas e admiradores
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terça-feira, 06 de setembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
No coração de Londrina, o Bosque Municipal abriga peroba, canafístula, cedro rosa, palmitos e várias outras árvores nativas e exóticas. Antigamente era frequentado por famílias que encontravam ali um local agradável de lazer. Atualmente apenas alguns jogadores de baralho utilizam o espaço. O problema é que as milhares de pombas que buscam o Centro da cidade para dormir encontram abrigo e segurança nas árvores e deixam o local malcheiroso e sujo.
A situação incomodava os moradores da região e aqueles que eram obrigados a cruzar o Bosque diariamente. Como a adoção de medidas para redução da população de pombas ainda não foi tomada pelo município, a Secretaria Municipal do Ambiente decidiu tentar reduzir o odor provocado pelas fezes dos animais fazendo uma limpeza que inclui a retirada de folhas e troncos que se acumulavam no solo.
A ação se tornou motivo de preocupação para algumas pessoas. Para Nair Tartari, ex-moradora das imediações do bosque, a medida é uma agressão à natureza. ''Presenciei os operários retirando arvorezinhas e todo o substrato que garante umidade para as árvores. Estou indignada, o Bosque é o nosso cartão de visitas. Eu levava meus filhos para brincarem lá há mais de 20 anos e tenho medo que seja prejudicado com essa limpeza.'', declarou.
De acordo com o engenheiro florestal e professor do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ésio de Pádua Fonseca, a medida é inadequada. ''Ambientalmente falando está incorreto. Quanto mais matéria orgânica se retira do solo, mais água falta ao ambiente e mais folhas irão cair'', explicou. Ele disse que as plantas não terão de onde tirar nutrientes e se este trabalho for permanente, pode levar à ''exaustão do Bosque''.
O professor afirmou que a matéria orgânica protege o solo e tem elementos benéficos para as plantas. ''Nas lavouras se faz isso, mas é feita adubação do solo. Aqui a única coisa que vai entrar são as fezes dos passarinhos e não é suficiente para repor a falta das folhas'', destacou. Para Fonseca, se a umidade do local for mantida, as fezes não causam mau cheiro. ''Não são as folhas que causam o mau cheiro e não é esta limpeza que vai minimizar esta situação. No verão o mau cheiro vai voltar se não houver água suficiente para decompor o que cai no solo'', detalhou.
Conforme Fonseca, um ambiente equilibrado não tem mau cheiro. ''Neste bosque é necessário introduzir plantas rasteiras para cobrir o solo, deixar as folhas caírem e adicionar água para acelerar a decomposição'', ensinou. Ele disse ainda que as folhas que são varridas no entorno do bosque deveriam ser colocadas de volta sobre a terra. ''Os operários ensacam as folhas e jogam fora, como se fosse sujeira. Isso é desperdício de dinheiro porque é adubo que está indo para o lixo'', explicou.


