Mais da metade das 80 mil bocas de lobo estão entupidas; serviço passou a ser responsabilidade da CMTU
Mais da metade das 80 mil bocas de lobo estão entupidas; serviço passou a ser responsabilidade da CMTU | Foto: Gina Mardones



A cada chuva intensa em Londrina ressurge um problema antigo: os bueiros entupidos. Das 80 mil bocas de lobo existentes na cidade, cerca de 60% não têm condições de escoar a água de forma efetiva. Para se ter uma ideia, o serviço de atendimento da prefeitura recebe em média 20 ligações diárias sobre reclamações de bueiros. A informação é da secretaria municipal de Obras e Pavimentação, que até o dia 14 de janeiro era responsável pela limpeza e conservação dos mesmos.

Agora, o serviço será realizado pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), conforme decreto assinado pelo prefeito Marcelo Belinati e publicado no dia 15 de janeiro. O presidente da CMTU, Marcelo Cortez, afirmou que irá terceirizar o serviço, mas não deu detalhes do processo, pois está aguardando a análise técnica para ter uma dimensão sobre o volume de trabalho e logística.

As atividades a serem executadas agora pela companhia incluem limpeza e conservação de bocas de lobo e galerias de águas pluviais, praças, calçadas e meios-fios. Já os serviços de manutenção, adequação, construção e reconstrução das galerias de águas pluviais permanecerão sob competência e responsabilidade da secretaria de Obras.

Segundo o secretário de Obras, João Verçosa, atualmente apenas um maquinário e uma equipe estão disponíveis para o serviço de limpeza de bueiros. "Nossa capacidade média de produção é de 230 bueiros por mês, mas o ideal é, no mínimo, triplicar essa produtividade", avalia. No entanto, ele cita que muitos pontos críticos na cidade não demandam apenas o desentupimento dos bueiros, mas um reforço na rede. "A rede de galeria pluvial não foi projetada para suportar o volume de água das chuvas. Temos que ter uma área mínima de absorção dessa água pelo solo, mas por conta da impermeabilização (do solo) isso não vem ocorrendo. A justificativa é a ocupação urbana, o desenvolvimento da cidade como um todo. A água não deveria correr pelo asfalto, pois isso também traz outros prejuízo. É o caso da avenida Brasília", diz.

Ele se refere ao trecho nas proximidades do Jardim do Sol (zona oeste), em frente a uma loja de peças automotivas. "Tem situações que a via tem que ser interditada porque fica impossível de passar qualquer carro. Acho que o problema maior é o lixo que vai para os bueiros e acaba causando o entupimento", comenta Alexandre Martinez, gerente da loja.

De acordo com o secretário, em toda a cidade há um acúmulo de entulhos nos bueiros, o que demonstra a falta de conscientização da própria população. "Às vezes, voltamos no ano de três a quatro vezes no mesmo local. As pessoas acham que o bueiro é depósito de lixo. É comum encontrarmos garrafas pet, latas de óleo e até capacete de motoqueiro", aponta.

No jardim Santiago 2 (zona oeste), a dona de casa Roseli Silva chegou a gravar vídeos no celular para mostrar a situação da rua Sidrak Silva Filho quando chove. "O volume de água é tão grande que o asfalto já foi recapeado 12 vezes por conta dos buracos que se formam. A chuva desce pela rua e os bueiros não dão conta. Para você ter uma ideia a água chega até o meu portão", lamenta.

Ainda de acordo com Verçosa, a solução seria substituir a rede de galeria pluvial de toda a cidade, o que seria algo inviável pelo alto custo. "Isto deveria ter sido contemplado no planejamento ao longo do desenvolvimento do município. Há locais com tubos de 40 centímetros de diâmetro e hoje, o ideal seria de pelo menos um metro de diâmetro", explica. (Colaborou Pedro Moraes)

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