A partir desta semana, a equipe do caminhão limpa-bueiros (vinculada à Secretaria Municipal de Obras), que operava anteriormente apenas nos dias úteis, passa a trabalhar também todos os sábados, das 7 às 18 horas. Segundo Celso Alves da Silva, responsável pelo veículo, o dia a mais se tornou necessário para aliviar o acúmulo de pedidos de limpeza de bueiros: até o início desta semana, eram cerca de 200 requerimentos da população pendentes. A equipe realiza, em média, dez limpezas por dia.
O problema da sujeira e do entupimento de bueiros é verificado em várias regiões de Londrina. Há cerca de 20 dias, o aposentado Leonardo Aparecido Gutierrez, morador da Rua Marselha, no Jardim Piza (Zona Sul), procurou a prefeitura para reclamar de dois bueiros em frente à sua casa onde a água transborda com frequência. Ele afirma que, numa das fortes chuvas que caíram sobre Londrina no início de janeiro, a água chegou a invadir sua casa.
''Alguns móveis foram estragados. Também entrou (água) na casa da minha vizinha, e lá eu tive que abrir um buraco numa mureta (que separa a garagem dos fundos da residência) para aquele aguaceiro ir embora'', afirma o aposentado. A dona de casa Natalina Maria Bezerra Santos, filha da vizinha de Gutierrez, diz que os moradores não receberam resposta da prefeitura sobre a vinda do caminhão limpa-bueiros. ''Que prefeitura é essa, que só tem um caminhão pra um serviço importante como esse?'', questiona Gutierrez.
Celso Alves da Silva garante que o caminhão esteve na Rua Marselha no final da semana passada. ''O problema daqueles bueiros não é tanto a sujeira, mas a galeria mal planejada. Quase não tem queda (d'água), então sempre acaba acumulando água nos dias de chuva e em dias secos estacionando um pouco de água parada'', diz o responsável.
Esta água estacionada gera outro problema, pois pode se tornar foco de dengue. Na semana passada, uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde esteve na Rua Marselha e constatou que havia larvas de pernilongo em um dos bueiros. ''Isso demonstra que talvez as larvas do mosquito transmissor da dengue podem se desenvolver ali'', afirma o coordenador de endemias da Secretaria de Saúde, Luiz Alfredo Gonçalves.
O secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, admite que apenas um caminhão limpa-bueiros é pouco. ''O problema é que se trata de uma estrutura cara. No ano retrasado, este único caminhão nos custou mais de R$ 300 mil. Hoje, seria ainda mais caro. Existe uma previsão orçamentária para a compra de um segundo caminhão em 2005'', diz Freitas.
O secretário cita que algumas regiões da cidade sofrem com galerias de águas pluviais mal dimensionadas, a exemplo da Rua Marselha. Este ano, a prefeitura realizará intervenções estruturais em redes no Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte) e na Avenida Harry Prochet (Zona Sul). As obras custarão ao todo mais de R$ 1 milhão, e serão pagas com recursos obtidos através de financiamentos externos.
''Estes dois casos são mais graves dos que o da Rua Marselha. Mas iremos ao Jardim Piza e faremos um levantamento in loco da situação. Se for possível realizar alguma intervenção com recursos da própria Secretaria, faremos o mais rápido possível. Agora, se for necessário mais dinheiro, será preciso aguardar um financiamento'', explica Freitas.

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