Limpeza de área próxima ao aterro deve terminar hoje
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 2003
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
A possibilidade de novos desmoronamentos no aterro sanitário de Londrina (zona leste) ainda preocupa ambientalistas e fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Cerca de 40 funcionários e três tratores da Paviservice Construção Civil (empresa curitibana que venceu a licitação para tratamento e manutenção do local) trabalham sem parar, na tentativa de limpar o vale atingido por um deslizamento ocorrido anteontem de manhã. Cerca de 30 mil toneladas de lixo deslizaram por mais de 400 metros e atingiram o vale por onde passa o Córrego Periquito.
Segundo o encarregado da Paviservice em Londrina, Airton Zanin, a equipe conseguiria terminar a limpeza dentro do prazo de 48 horas prometido e estabelecido pelo IAP. ''O mais tardar até o meio-dia de amanhã (hoje), teremos encerrado o trabalho. Como a manutenção do aterro estava sendo feito dentro das exigências (das leis ambientais), creio que as chuvas fortes provocaram o acidente'', cogitou Zanin, negando qualquer possibilidade de manutenção deficiente.
O chefe do IAP em Londrina e região, Ney Paulo, determinou ontem que um técnico acompanhasse os trabalhos e reforçou que o prazo para limpeza encerra esta tarde. ''No dia do desmoronamento, verificamos que apenas quatro pessoas estavam trabalhando no local e por isso pedimos que aumentassem o número de funcionários'', comentou Paulo. Segundo ele, o resultado do exame que confirmaria ou não a contaminação do Córrego Periquito sai no próximo dia 21.
Apesar de as chuvas terem dado uma trégua ontem, a Folha registrou rachaduras no terreno perto de outras ''células'' (montes de lixo e entulho que são formados antes de serem nivelados pelas máquinas) não afetadas pelo deslizamento, evidenciando o perigo de novos acidentes. O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Wilson Sella, disse ontem que ''este caso foi o sinal de alerta'' para acelerar o processo de desativação do aterro sanitário da cidade.
O aterro sanitário recebe diariamente 350 toneladas de lixo comum e cerca de mil toneladas de entulhos. ''As administrações anteriores não estabeleceram um prazo e nem prepararam um projeto para encerrar a vida útil do aterro. Mesmo parando de receber lixo no ano que vem, o tratamento dos resíduos deve durar ainda 25 anos'', explicou Sella, lembrando que as negociações do novo aterro continuam em andamento. A nova área tem 25 alqueires e seria na Colônia Coroados, zona sul de Londrina.
Até a tarde de ontem, Sella ainda não havia decidido se contrataria uma empresa particular para levantar a causa do acidente ou se pediria a abertura de um inquérito policial para investigar a possibilidade de ação criminosa. No dia do desmoronamento, foi registrado pela primeira vez o entupimento de um dos drenos, poços construídos para acumular e encaminhar o líquido resultante da decomposição da matéria orgânica (conhecido como chorume) até os tanques de tratamento.


