Limites são importantes para a saúde mental
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Uma sociedade atual com tantos conflitos é sinal de que a instituição da família também está em desiquilíbrio, afirma o médico pediatra e especialista em adolescência e terapia familiar, Renato Mikio Moriya. ''É na nossa relação com a nossa família de origem que se molda todo o nosso ser e a forma de nos relacionarmos com o mundo. Se não aprendemos limites em casa, também não vamos respeitar as regras de convivência da sociedade, que não são impostas com afeto, como no ambiente familiar'', disse o médico. Hoje, Moriya profere palestra sobre relacionamento familiar como parte da 7 Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat), da Folha de Londrina. O evento acontece no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) a partir das 14 horas.
Ele defende que os limites, que podem significar ''frustrações'', são saudáveis para a formação do indivíduo e importante para a sua saúde mental. ''Com limites a pessoa aprende no seu íntimo que nem todos os seus desejos podem ser realizados e busca formas criativas de superação'', disse. Isso evita, segundo ele, que na adolescência o indivíduo busque formas prejudiciais de diminuir a angústia, como drogas, violência e sexo sem proteção, ao se deparar claramente com a realidade do mundo e os próprios limites.
Destacando a adolescência como o período em que a pessoa mais busca automomia individual e, consequentemente, mais gera conflitos familiares, Moriya explica que é uma fase em que se vivencia o luto da perda do corpo da infância e da imagem dos pais ideais. ''É um momento de grande questionamento em que os pais devem estar 'inteiros' para ouvir os filhos e perceber que o tom agressivo dos filhos não significa uma agressão direta e sim, um processo de amadurecimento e individualização'', afirmou.
''É fundamental que as pessoas busquem resolver os seus conflitos com a família de origem, melhorem a comunicação, para que possam ter uma vida saudável, ter estrutura para constituir a própria família e evitar que os distúrbios de relacionamento se perpetuem por diversas gerações'', destacou.


