Limites na comunicação virtual
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
A internet mudou radicalmente as formas de comunicação no mundo contemporâneo. Ferramentas como e-mails, mensagens virtuais e redes sociais ajudaram a diminuir distâncias e aproximaram pessoas. Mas o mundo virtual não ficou isento de velhos problemas, como mal-entendido e discriminações. Conflitos que podem causar sérios danos psicológicos, como insegurança, medo e distúrbios de sono.
''É muito fácil passar dos limites na comunicação virtual. Frases agressivas, comentários abusivos, falta de tolerância em relação ao que é diferente e perda da intimidade acontecem com frequência, principamente com os jovens que estão vivendo a explosão tecnológica mais que qualquer outra geração'', avalia Elsie Silva, psicopedagoga e mestre em Psicologia Social e da Personalidade.
Como exemplos, ela cita os danos ao ter um segredo exposto na rede ou a discriminação que uma pessoa pode sofrer por ter uma postura em desacordo com determinado grupo. ''Imagine uma adolescente que contou a uma amiga de sua confiança que está gostando de um menino e todo mundo fica sabendo disso, pois a coleguinha publicou isso em alguma rede de relacionamento'', exemplifica. ''Essa perda de confiança e privacidade pode ser muito prejudicial. Assim como quando uma pessoa passa sofrer agressões e ameaças por pensar diferente da maioria dos integrantes de seu grupo'', argumenta Elsie.
Segundo a psicóloga, as agressões e abusos podem resultar em vergonha, tristeza, insegurança e até desencadear distúrbios de sono e alimentar. ''Cada pessoa reage de uma forma a esse tipo de situação. A gravidade do problema varia conforme o grau intensidade da agressão sofrida'', afirma.
Comunicação compassiva
Elisie diz que as agressões virtuais podem ser propositais ou não. ''Muitas vezes o agressor não se dá conta dos danos que pode causar ao deixar mensagens em redes sociais ou mandá-las por e-mail. Antes disso, é importante refletir se na comunicação a pessoa está tendo um julgamento moralista do outro. Porque é muito diferente de eu ter um juízo de valor, que é uma qualidade que a pessoa busca na vida, como a honestidade, do julgamento moralista, em que se condena tudo o que é diferente dela'', esclarece.
A especialista diz que o ideal é fazer uso da comunicação compassiva. ''Esse conceito é utilizado quando adotamos uma postura pacífica, pensando sempre nos efeitos que nossa linguagem terá em relação ao outro. Pensar nisso ajuda a evitar a violência'', explica.
Os pais e a escola têm um papel fundamental nesse processo, na avaliação da psicóloga. ''A escola tem que cumprir a parte dela, fazendo sempre com que os alunos reflitam sobre o que eles causam nos outros com determinado comportamento. Já os pais precisam trabalhar em casa a flexibilidade e a aceitação das diferenças para não existir a intolerância, que é o pano de fundo de todas as agressões'', enfatiza.
Alvo fácil
A psicóloga destaca ainda que cabe aos pais perceberem quando o filho está praticando ou sendo vítima de agressões virtuais, também chamada de cyberbullying. ''Os pais devem conversar bastante com os filhos, colocar limites, conhecer as pessoas com quem os filhos se relacionam pela internet e ensiná-los a se relacionar com ética e responsabilidade'', ressalta.
Entre os limites a serem colocados pelos pais está distinção entre o que é privado e o que pode ser divulgado na internet. ''Muitos adolescentes acabam se tornando alvo fácil de agressão ao se deixaram filmar em momentos de intimidade ou ao publicar fotos e fatos íntimos na internet. os pais devem sempre orientá-los em relação a isso'', explica Elsie.
Ela aconselha os pais a procurar ajudar psicológica ao notarem que os filhos não estão conseguindo superar traumas gerados por discriminação ou agressão virtual. ''Alguns sinais podem evidenciar esse tipo de situação, como mudança de conduta, tristeza, apatia, insônia ou sono em excesso. Quando o fato aconteceu na escola, por exemplo, é comum os adolescentes se sentirem desmotivados as estudar ou não querem mais ir para o colégio. As terapias com psicólogos ajudam a resolver esse tipo de situação'', salienta Elsie.


