Limite instável confunde motorista
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Lúcio Flávio Moura <br> Reportagem Local 
Uma das principais queixas dos motoristas que transitam nos trechos urbanos da BR-369 e da PR-445 em Londrina é a mudança constante no limite de velocidade. Segundo os relatos ouvidos pela FOLHA, a variação confunde o motorista e aumenta as chances da aplicação de multas por excesso de velocidade. A reportagem percorreu 50 quilômetros dessas vias e constatou 14 variações, excluindo a sinalização próxima a semáforos e a cruzamentos (ver quadro nesta página). Em média, o motorista enfrenta uma troca de limite a cada 3,5 quilômetros.
''Fui multado na BR-369, em pista dupla, num trecho que variava de 110 km/h para 70 km/h e depois para 40 km/h. A gente fica confuso em relação a qual orientação seguir'', disse à reportagem um motorista que não quis se identificar.
O vendedor Olavo Borges Macedo Filho, 25 anos, morador da Vila Yara (Zona Oeste), e que circula diariamente na rodovia, tem a mesma opinião. ''Você não consegue se basear pelo tráfego porque muita gente não respeita. O motorista tem que mentalizar o limite. E quem não está acostumado com o trânsito da cidade? Minha sugestão é deixar um limite fixo, de 60 km/h''.
O caminhoneiro Cassildo Bett, 41 anos, de Renascença (Sudoeste), diz que é preciso a máxima atenção para evitar uma multa por excesso de velocidade. ''Quando eu não conheço a cidade, como aqui, eu levo a caminhão a 60 km/h e diminuo nos cruzamentos.''
''Acredito que não há necessidade de variar tanto. Fica confuso. Muitos colegas meus de estrada dizem que já tomaram multa em Londrina'', afirma César Paulo da Silva, 38 anos, morador de Cambé (Norte).
Para quem usa moto, a queixa é o desrespeito dos carros ao limite, o que pressiona quem respeita. ''As pessoas vão apenas pelo instinto, nem olham as placas'', afirma o serrador Antonio Ledivan Pereira, 31 anos, morador do Jardim Monte Cristo, Zona Leste.
Vistoria
O coordenador de engenharia de tráfego e segurança de trânsito do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, Newton Merlin de Camargo, informou que a velocidade nos trechos é estabelecida por critérios técnicos, como o relevo da área ou as condições da pista. ''O DER pode realizar vistorias e fazer eventuais correções. Para isso, precisamos de um pedido formal. E isso ainda não aconteceu'', afirmou. Ele disse que os trechos urbanos da BR-277, por exemplo, passaram por recentes adequações a pedido de motoristas.
O inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Vicente Zangilorani, disse que a fiscalização é feita com base nas placas de sinalização. ''Se há uma variação, há uma fundamentação técnica. Resta ao motorista cumprir as obrigações de observar a sinalização''.
Ele admite que há um número considerável de multas por excesso de velocidade no trecho percorrido pela reportagem na BR-369 e acrescenta que a área urbana recebe atenção especial da fiscalização. ''A presença da polícia nos inícios dos trechos urbanos gera uma percepção de segurança ao motorista, que acaba arriscando-se menos''.
''A maior parte das reclamações é motivada pelo prejuízo de uma multa e não pelos riscos de acidente. Houve um aumento no número de autuações e uma queda no número de acidentes. O que podemos dizer é que o Código de Trânsito deixa muito claro que obedecer a sinalização é uma obrigação do motorista'', afirmou o subtenente Émerson Pacheco, da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), sediada em Londrina e responsável pela fiscalização na PR-445.



