Limite de permanência gera polêmica
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
Érika Pelegrino de Londrina 
A mudança no sistema de horário e de cobrança da Zona Azul pegou os usuários de surpresa ontem. A Epesmel decidiu colocar em vigor as leis que estabelecem um limite de duas horas para utilização de uma vaga e passou a cobrar adiantado do usuário para evitar os calotes.
A medida deixou alguns usuários descontentes, principalmente aqueles que trabalham na região central e deixam seus veículos estacionados o dia todo. O relações públicas Murilo Scarchetti ficou inconformado quando foi comunicado pelo garoto da Zona Azul sobre a mudança de sistema.
Isto é um absurdo, como eu vou sair do trabalho para procurar outra vaga?, questionou. Vou tirar o carro de um lugar e colocar na vaga ao lado? E se não tiver vaga? Este sistema vai causar muitos transtornos, complementou. Quanto aos calotes ele sugeriu que passassem a cobrar adiantado por tempo integral, devolvendo ao usuário o montante referente ao tempo não utilizado.
O empresário Luiz Alves Ferreira também não gostou da novidade, mas considerou que haverá mais oportunidades de encontrar vagas .Vai dificultar para quem está em algum compromisso e não pode sair, mas por outro lado será melhor para quem está procurando vaga, disse. Ana Lazzarini, empresária, não utiliza a Zona Azul quando vai trabalhar e aprovou a limitação de horas. Tem gente que larga o carro o dia inteiro em uma vaga, e quem precisa fazer uma coisa ou outra no centro não consegue estacionar, afirmou.
Enquanto os usuários divergem em opiniões sobre a medida, a Epesmel e a Companhia Municipal de Urbanismo (Comurb), que gerencia o serviço, atribuem uma à outra a entrada em vigor da lei. Segundo o diretor-geral da Epesmel, padre Lídio Roman, um dos motivos para exigir que os veículos fiquem estacionados apenas por duas horas, foi uma certa cobrança da própria gerenciadora.
Já o diretor de trânsito e transporte da Comurb, Moisés Cardeal garante que não fez nenhuma pressão neste sentido. Garantir a rotatividade de vagas foi o principal motivo para se cumprir o que determina a lei, segundo Roman. A Zona Azul não é para quem vai trabalhar. Estas pessoas devem encontrar outro local para deixar seus carros. Se uma vaga for utilizada pelo mesmo veículo o dia todo acabamos descaracterizando a função da Zona Azul que é justamente a rotatividade, explicou.
Roman disse ainda que os usuários terão um prazo de duas semanas para se habituarem ao sistema de horário e cobrança determinados por lei. Para justificar a cobrança adiantada, ele levantou o problema com usuários que não pagam os cartões. Os 15 minutos sem pagar continuam valendo, mas se a pessoa não voltar os garotos não irão mais colocar cartões, afirmou.
Um dos garotos da Zona Azul, que não quis se identificar, afirmou que o problema com pessoas que não pagam é grande. Muitos dizem que voltam logo e só retornam depois que os meninos foram embora. Tem garoto que deve até R$ 150,00 para a Epesmel, afirmou.


