Para a psicóloga Dorotéia Murcia Souza, os pais têm que saber dosar a troca de afeto, que ela chama de atenção social, com a imposição de limites. ''Não é porque os pais trabalham fora e ficam pouco tempo com os filhos que devem deixar de ter uma relação de cumplicidade. Até porque, por conta de um sistema econômico que que vivemos, ele estabelece as relações sociais que acabam sendo descartáveis. As crianças trocam de amigos assim como trocam de roupa. E isso não é saudável'', comenta.
Outro ponto, segundo Dorotéia, é questão dos pais trabalharem a frustração da criança. ''É importante que as crianças aprendam que nem tudo na vida é como ou quando queremos. Nem todas as reações são 'coisa de criança' e os pais não devem ceder sempre. Eles precisam deixar o filho passar pelas situações de frustração; assim ele vai adquirir habilidades indispensáveis para a vida. A criança superprotegida não terá essa noção.''
Ainda conforme ela, um dos resultados do egocentrismo está na terceirização da educação dos filhos. ''Os pais acreditam que a educação possa ser terceirizada. Para isso, investem em escolas caras, cursos dos mais variados conhecimentos, mas esquecem do afeto genuíno. Quando a criança desenvolve características de uma pessoa egocêntrica, ela vai deixando de lado essa relação e vai à escola sem limites'', observa. ''Temos que pensar na reconstrução da família, trabalhar com regras e principalmente o diálogo'', destaca. (M.T.)

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