Limitações viram desafio a ser superado
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domingo, 12 de novembro de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Várias pessoas que não têm as limitações que eu tenho não fazem 25% do que faço''. A frase confiante é do consultor João Paulo Taborda Oliveira, 26 anos, de Curitiba. E ele está certo. É difícil encontrar gente que tenha o mesmo fôlego.
Oliveira é um apaixonado por atividade física. Ele pratica ciclismo e yoga. Surf, ocasionalmente. Joga futebol. Sobe montanhas pelo menos duas vezes por mês. Recentemente, descobriu a escalada. Tudo isso, sendo portador de distrofia muscular generalizada, doença de origem genética que lhe causa fraqueza nos músculos, principalmente nas mãos e nos pés.
''Sempre fui adepto da atividade física. Não chamo a distrofia muscular de doença, prefiro falar em limitação. Às vezes, essa minha limitação me bloqueia. Na escalada, por exemplo, de vez em quando sinto dificuldade na pegada. Além disso, não tenho movimento na panturrilha, o que me faz falta. Mas não deixo de fazer nada por causa da minha limitação'', diz Oliveira.
O consultor começou a praticar escalada há três meses. ''Sempre tive vontade. Uma vez, estava na academia e uma funcionária me incentivou a tentar. Os instrutores de musculação me disseram que havia possibilidade. Tentei e deu certo. Meu desempenho melhorou, depois deu uma estagnada. Aí, melhorou de novo. Sinto que estou começando a desenvolver as falanges. É tudo questão de treinamento e prática'', comenta.
Oliveira realiza os exercícios sem acompanhamento médico. ''Mas faço tudo com cuidado. Sei dos meus limites, não extrapolo, faço minhas adaptações. Muitos portadores de doenças têm uma postura meio pessimista. Caem na depressão, se isolam. Vivemos em uma sociedade que estabelece padrões. Então, se você tem alguma diferença, você já foge do padrão. Pessoas nessa situação muitas vezes dão uma freada em si mesmas. Eu encaro de outra forma'', argumenta.
Classificações - Segundo a neurologista Cláudia Kay, a distrofia muscular tem várias classificações e caracteriza-se como um comprometimento do músculo. A origem é genética. Conforme o tipo de distrofia, a doença pode se manifestar pela primeira vez já nas primeiras semanas de vida. Em outros casos, pode ser diagnosticada apenas na fase adulta.
''Alguns tipos de distrofia muscular podem levar à morte, pois afetam o músculo cardíaco ou a musculatura respiratória'', explica a neurologista. De acordo com Cláudia Kay, a distrofia muscular não tem cura, mas algumas medidas podem ser tomadas para melhorar a qualidade de vida de quem tem a doença.
''Para praticamente todas as classificações é recomendada fisioterapia. Em alguns casos, medicamentos conseguem retardar os efeitos da doença. A prática de atividade física ajuda. O exercício mais adequado varia caso a caso. A recomendação principal é respeitar o limite do músculo. Além disso, o exercício deve ser sempre acompanhado de alongamento'', diz a neurologista.


